Tribuna do Leitor

A lua


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Indo para a USC, ministrar aulas no período noturno, passei pela avenida Getulio Vargas, sentido saída para a Rondon, notei bem no alto, a lua cheia, esplendorosa, brilhante, toda cheia de si. Com o olhar atento, pois naquele trecho o movimento é intenso quase sempre, mas no período das 18h00 as 19h00 torna-se mais ainda. Mas ela reinava absoluta e dominava a paisagem, não deixando que nada apagasse a sua claridade e a sua beleza.

O pensamento viajou. Quanto o homem luta para dominá-la, quanto ela serve de inspiração ao seresteiro, ao poeta, ao casal de namorados, que embebidos pelo lugar, trocam juras de amor, ao homem do campo, que do beiral de sua casa, admira, céu aberto, deparando-se na escuridão plena com a lua toda brilhante.

Na cidade, onde os edifícios tornam-se cada vez mais ousados, rompendo o espaço, tiram o momento majestoso e único do homem olhar para o céu e deparar-se com a lua.

Os adeptos de seitas religiosas vêm São Jorge com sua lança, e seu cavalo branco, desenhados nos contornos da lua cheia.

A prova da existência de Deus, em sua magnitude, traz dia a dia a beleza, que ilumina a noite, e nos faz acreditar que se o homem pensar mais na natureza, e admirar mais a lua, poderá com o esforço de todos, salvar este planeta que está sendo massacrado com os desmatamentos das florestas, com o crescimento do êxodo rural e com o principal a arte de olhar e admirar as coisas belas da vida, olhando para cima, e vendo que há algo superior a nós que comanda esta terra, e que necessário se faz de urgência.

Levantar os olhos em direção ao céu, uma ação tão simples, mas que o homem moderno se esquece, voltado para o asfalto da cidade grande, consumido pela ânsia de querer viver em pleno gozo da vida, e se esquece de tal forma, que era tão simples olhar para o céu e admirar a beleza que Deus nos deu e de tão grandiosa que é, apresenta-se em outras fases, que num ciclo:

Minguante, crescente, nova, cheia... mostra ao homem, que é dever dele, erguer os olhos ao céu, e agradecer essa imensidão de beleza, que emoldura a noite.

Carlos Alberto Alves Neves - professor universitário - RG 4.513.066

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