São Paulo - A Corregedoria Geral da Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro) recebeu na tarde de ontem o inquérito policial contra o ex-chefe da Polícia Civil e deputado Álvaro Lins (PMDB). O documento foi entregue ao corregedor-geral da Casa, deputado Luiz Paulo (PSDB), pelo presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB).
O corregedor deverá analisar o inquérito e verificar se as acusações se enquadram em caso de quebra de decoro parlamentar. Após análise, Luiz Paulo deverá ouvir o deputado.
Na sexta-feira, a Alerj aprovou o projeto de resolução encaminhado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que considerou inconstitucional a prisão de Álvaro Lins. Com a decisão, o deputado deixou a carceragem da Polícia Federal, onde ficou preso por cerca de 24 horas.
O projeto foi aprovado com 40 votos favoráveis, 15 contrários e nenhuma abstenção. Para ser aprovado, o projeto precisava de 36 votos. A Assembléia do Rio tem 70 deputados, 17 deles do PMDB, que tem a maior bancada.
Caso entenda que há elementos que justifiquem a abertura de processo disciplinar contra Álvaro Lins, o corregedor encaminhará inquérito ao Conselho de Ética da Alerj, presidido pelo deputado Paulo Melo (PMDB).
Lins teve apoio de milícias
Para se eleger deputado estadual pelo PMDB em 2006, o delegado Álvaro Lins, na época ex-chefe de Polícia Civil, foi buscar apoio de algumas das milícias que dominam favelas da cidade. Para isto, contou com a intermediação de policiais civis do seu grupo e de delegados no exercício do cargo, como o caso de Marcos Cipriano. As informações constam do relatório no qual Lins, o ex-governador Anthony Garotinho e outras 14 pessoas foram denunciadas pela Polícia Federal e Ministério Público pelos crimes de formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.
Em um dos diálogos gravados pela Polícia Federal e transcrito na denúncia dos procuradores regionais da República, Cipriano é aconselhado pelo inspetor de polícia Fábio Menezes de Leão, o Fabinho, a procurar o cabo da Polícia Militar Jorsan Machado de Oliveira, chefe da milícia em diversas comunidades carentes de Jacarepaguá, na zona Oeste. Na conversa, eles estavam preparando a visita do candidato Lins, em 24 de setembro de 2006, a cinco favelas daquela área, na jurisdição da delegacia chefiada por Cipriano.