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Lula defenderá na FAO o fim de subsídios

Folhapress
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São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá defender que os países ricos abram mão dos subsídios que pagam à seus produtores agrícolas, a fim de motivar os países pobres a produzir mais alimentos, na reunião de chefes de Estado e de governo organizada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) que começa hoje em Roma.

O presidente disse ontem, no programa de rádio “Café com o Presidente”, que o problema da fome “volta e volta com força no mundo, e o mundo começa a discutir”. “É importante, então, que a gente comece a estabelecer uma estratégia de melhorar a produção de alimentos, aumentar a produção de alimentos, e, sobretudo, você tirar os subsídios na agricultura dos países mais ricos que tornam praticamente impossível do mundo pobre vender comida à Europa.”

“Uma das atitudes seria concluir o acordo da OMC (Organização Mundial do Comércio) na Rodada de Doha, que os países ricos abram mão dos subsídios agrícolas que dão aos seus agricultores, que os Estados Unidos diminuam os subsídios. E aí sim os países pobres vão se sentir motivados a produzir mais alimentos para comer e para vender”, disse o presidente.

O presidente Lula disse também que a alta dos preços do petróleo têm de ser discutida, “porque o preço do petróleo pode implicar no aumento do custo do produto a partir do custo do transporte e a partir do custo da matéria-prima que faz o fertilizante”.

Para Lula, se houver incentivo para a produção nos países pobres. “estaremos criando as condições para que o alimento volte a se tornar acessível, sobretudo à parte mais pobre da população que precisa comer três vezes ao dia pelo menos. Tomar café, almoçar e jantar.”

O presidente Lula encontrou ontem na Itália com a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e com o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon.

Em encontro de 40 minutos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, na embaixada brasileira em Roma, a presidente argentina Cristina Kirchner antecipou ao colega brasileiro que a posição do seu país na conferência da FAO será semelhante à do Brasil, condenando os altos subsídios à agricultura dos países ricos.

O diretor da FAO, Jacques Diouf, considera que os países ricos devem aumentar de modo significativo sua ajuda para a luta contra o aumento dos preços dos produtos alimentícios.

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Ban Ki-Moon quer que Lula evite politização do debate

São Paulo - O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-Moon, pediu ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que evite a politização das discussões sobre biocombustíveis e a alta no preço dos alimentos.

Em reunião na embaixada brasileira em Roma, Ban Ki-moon disse que não se pode deixar que a excessiva politização do tema impeça a tomada de medidas necessárias para o abastecimento de alimentos para populações mais pobres no mundo.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que também participou da reunião, Lula respondeu que o Brasil deseja uma discussão científica sobre o assunto.

“Para nós, excessiva politização são as pessoas que esquecem que há os subsídios agrícolas, que há o impacto no preço do petróleo e que buscam no biocombustível um fantasma para ser condenado”, disse Celso Amorim depois do encontro. “Acho que o recado era para os outros, para os que ficam achando que os biocombustíveis é que causam o aumento dos preços”, completou.Celso Amorim informou que Lula falou longamente sobre a reunião que pretende fazer em São Paulo, em novembro, sobre o assunto. A idéia, segundo Amorim, é discutir com especialistas e cientistas a adoção dos biocombustíveis e do etanol - feito da cana-de-açúcar - como forma de combustível.

“Ninguém quer partir de concepções pré-concebidas ou ideológicas num sentido ou em outro. Queremos um debate científico”. “O Brasil, nessa questão toda, não é parte do problema, é parte da solução. Ao sermos grandes produtores de grãos e termos aumentado muito a nossa produtividade agrícola, somos parte da solução, não somos parte do problema. O governo do presidente Lula, em matéria de combate à fome, não tem de receber recados nem lições de ninguém”, afirmou.

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