Washington - Barack Obama já tem o número mínimo necessário de votos para conseguir, na convenção partidária, a candidatura democrata à Casa Branca, projetaram ontem agências de notícias e a rede CNN.
Os cálculos têm duas bases: a enxurrada de apoios de última hora dos superdelegados - membros do partido que podem votar sem compromisso com o resultado das urnas - e a conquista, sinalizada em pesquisas de opinião, de pelo menos um terço dos delegados em jogo nas prévias de Dakota do Sul e Montana.
Após seis meses de intensa campanha, os dois Estados encerraram ontem a primeira fase da corrida eleitoral do partido opositor.
Se a informação for confirmada, o político de 46 anos será o primeiro negro a ocupar essa posição na história dos EUA. Caso a convenção democrata o referende no final de agosto, Obama terá derrotado a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton e disputará com o senador republicano John McCain a sucessão de George W. Bush na eleição presidencial, em 4 de novembro.
Até as 20h50, a campanha de Obama se mantinha em silêncio estratégico, pedindo apenas que os eleitores “se certificassem que assistiriam o discurso” do senador no final da noite num comício em St. Paul, Minnesota.
Nos cálculos da campanha, ele precisaria de apenas 10 dos 31 delegados em disputa anteontem - marca obtida mesmo com suas piores performances.
O dia foi de idas e vindas no noticiário político americano, que alardeou cada novo apoio conquistado pelo candidato e cada reação da rival.
No início da tarde, a Associated Press noticiava que Hillary Clinton reconheceria a derrota em discurso ontem no final da noite em Nova York. Ao meio-dia, a campanha da senadora soltou um e-mail de uma linha: “A reportagem da Associated Press está incorreta. A senadora Clinton não vai desistir da candidatura na noite de hoje”.
Na seqüência, seus dois homens-fortes começaram a aparecer nas emissoras para negar que ela fosse desistir da corrida. “Ainda estamos no processo das primárias, isso não acabou”, disse o coordenador-geral da campanha, Terry McAuliffe. “O senhor Obama não tem a indicação (para a candidatura) e não a terá, a meu ver, não na noite de hoje (ontem)”, ecoou o assessor sênior Harold Ickes.
Até as 20h50, segundo levantamento da CNN, Obama tinha 2.107 delegados, ante 1.913 da ex-primeira-dama. São necessários 2.118 para a indicação. O senador liderava as pesquisas nos dois Estados que votavam quando esta edição foi fechada.
Entre os que declararam apoio a Obama hoje está o ex-presidente Jimmy Carter (1977-81), um dos caciques do partido que ainda não haviam tornado público o voto -embora tivesse dado dicas de sua preferência.
“O fato é que o pessoal do Obama já sabia que eu ia declarar meu voto a ele assim que fechassem as urnas”, disse.