Polícia

Homicídios: 45% ainda são mistério

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Dos 22 homicídios registrados em Bauru no ano passado, a Polícia Civil esclareceu 12, um índice de 55% de soluções. Os outros 45% continuam mistério para a Polícia Civil, que segue investigando as mortes. E neste ano, dos 14 assassinatos ocorridos na cidade, sete foram esclarecidos. Outros sete, incluindo o do ex-secretário municipal de Esportes de Bauru José Roberto Franco, o Sapé, ocorrido no último dia 21, continuam sob investigação.

Sapé foi encontrado morto com um tiro no peito e outro na cabeça, dentro do carro da namorada, no Vale do Igapó, próximo ao sítio onde mantinha uma criação de vacas leiteiras. A Polícia Civil tem várias linhas de investigação e, em cada uma, vários suspeitos. Mas, por enquanto, o caso continua um mistério.

O Ministério Público (MP) ressalta que o índice de esclarecimento de homicídios em Bauru é próximo dos parâmetros mundiais, que é 60%, e destaque positivo no Estado de São Paulo. Entre os assassinatos de 2007, o único relatado à Justiça sem resolução foi o de Juraci dos Santos Silva, um andarilho que foi morto por espancamento. O caso foi enviado ao Judiciário, mas pode ser retomado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) caso surjam novos indícios de autoria.

Os outros nove homicídios continuam sendo investigados. Neste ano, além dos sete homicídios que estão em investigação, há ainda uma morte suspeita que está sendo apurada (leia mais na página ao lado). Dos crimes esclarecidos em Bauru, quatro acusados de serem os autores foram presos em flagrante pela Polícia Militar e três foram identificados pela Polícia Civil, após alguns dias de investigação.

Na avaliação do MP, apesar de muitas vezes não se converter em condenação, o índice de resolução de homicídios em Bauru é positivo. Segundo o MP, um dos principais problemas em desvendar estes crimes é a ausência de testemunhas ou a recusa destas em depor por conta de ameaças. Geralmente esta situação é comum quando há acerto de contas entre traficantes ou brigas entre gangues - este último não é comum em Bauru.

Para o delegado seccional Doniseti José Pinezi, o índice de esclarecimentos é positivo. “É um índice bem elevado. E mesmo os que não foram solucionados continuam sob investigação”. O delegado Abel Cortez, titular da DIG, destaca que os assassinatos ainda não esclarecidos estão sendo investigados.

“Estamos trabalhando muito intensamente e diversas providências estão em andamento”, observa. Já sobre os nove casos pendentes de 2007, Cortez destaca que estão em estágio avançado de investigação. “Ainda neste bimestre teremos alguns desfechos”, pontua o delegado.

Entre os crimes de 2007 que ainda desafiam os policiais, está o do latrocínio do fazendeiro José Roberto Figueiredo Pereira Cassiano, 64 anos, morto com um tiro na entrada dos Sítios Reunidos Santa Maria, em março do ano passado.

Condenação

O promotor João Henrique Ferreira avalia que uma das maiores dificuldades para desvendar um homicídio é a relutância das testemunhas em depor. “A questão que mais atrapalha é quem tomou conhecimento do crime não querer informar a autoria à polícia”, destaca.

De acordo com o promotor, testemunhas de assassinatos procuram não se envolver nas investigações. “Por ser um crime grave, elas podem sofrer ameaças. As testemunhas têm em mente que quem matou, pode matar de novo”, observa. Não é raro testemunhas negarem o que disseram antes. “Muitas quando depõem, após serem ameaçadas, se retratam e em juízo acabam negando. Isso é um fator complicador” , pontua.

Ferreira também destaca que se o crime for preparado, é muito mais difícil de ser desvendado. “Normalmente crimes que envolvem vingança, disputa entre quadrilhas. Geralmente são preparados e praticados na ausência de testemunhas”, descreve.

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