Polícia

Após 37 anos, caso Mara Lúcia é citado

Por Lígia Ligabue | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Em Bauru, toda vez que se fala em crime sem solução, o caso Mara Lúcia Vieira vem à tona. A menina foi morta aos 9 anos após ser estuprada numa residência na rua Professor José Ranieri, no Centro. O crime aconteceu no dia 15 de novembro de 1970 e até agora não foi desvendado. Porém, mesmo que o autor seja encontrado, ele não poderá ser processado, porque o crime está prescrito. O túmulo da menina, no Cemitério da Saudade, é um dos mais visitados no Dia de Finados e também no transcorrer do ano. Há quem garanta que ela faz milagres.

Também na década de 70, outro assassinato que marcou Bauru foi o do policial militar Moacir Chermont, morto em situação misteriosa na Vila Dutra. A Kombi do policial foi cercada por marginais com o intuito de praticar um roubo. Ele teria reagido e acabou sendo morto com um tiro. Um suspeito foi preso, mas o assassinato não foi totalmente esclarecido.

Ainda na década de 70, a cidade teve mais um caso de desaparecimento que entrou para a lista dos insolúveis. Personagem conhecido dos comerciantes do Centro, Pelezinho tinha fama de aterrorizador. Seu nome e idade até hoje não foram descobertos. Reconhecido na cidade por conta de um defeito físico, ele viveu alguns anos no abrigo da Sociedade Beneficente Cristã, o Paiva. Ele também era conhecido por provocar a polícia. Num jogo entre o Esporte Clube Noroeste e Santos, no Estádio Alfredo de Castilho, Pelezinho arrumou mais uma confusão e sumiu sem deixar vestígios.

No início de 1989, o jornalista Luiz Alberto Montenegro Rodrigues foi morto com dois tiros. Seu corpo foi localizado dentro de um Voyage, perto do Estádio Alfredo de Castilho, na Vila Industrial. As investigações levaram a um suspeito, mas as provas não foram suficientes para incriminá-lo. Ainda não há sinais do autor ou autores do crime.

____________________

Sem corpo

O desaparecimento do empresário Nelson Olyntho Machado, em agosto de 2002, é um dos mais intrigantes da história policial recente de Bauru. Duas pessoas já foram condenadas por assassinar o empresário, mas o corpo ainda não foi encontrado. De acordo com o Ministério Público, isso torna o caso raro no Estado. Nesta semana, o terceiro acusado da morte será levado ao Tribunal do Júri.

De acordo com o que consta no processo, Olyntho teria sido visto pela última vez entrando em um carro com os três acusados do crime. Um deles, Marcelo Gabriel Ferreira, confessou que seqüestrou o empresário e acompanhou seu espancamento por outros dois comparsas. Ferreira diz que ouviu de um de seus companheiros que Olyntho seria enterrado em uma cova já aberta na zona rural de Agudos. Ele foi condenado a 12 anos de prisão, em outubro de 2006.

Antes, em março de 2005, Fabiano Aparecido Cardoso foi condenado a 16 anos. Ele foi condenado sob acusação de que, com a ajuda dos outros dois réus, matou o empresário mediante espancamento, socos e pontapés, após seqüestrá-lo. E pela agravante de uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e ocultação de cadáver.

Agora, na quinta-feira, será o julgamento de Reinaldo Pereira de Brito, que era casado com a irmã do empresário. O casal teria enfrentado momentos de turbulência na relação e Olyntho ajudou a irmã a sair de Bauru. Célia Dalben, ex-mulher do empresário, espera que o réu, apontado como o cabeça do crime, seja condenado a pena máxima. “Esperamos que alguma coisa brilhe dentro dele e que seja revelado o que foi feito com o corpo do Nelson. É muito difícil passar uma vida sem saber ao certo o que aconteceu”, diz.

____________________

Morte suspeita

Além dos homicídios registrados neste ano em Bauru, a Polícia Civil também investiga uma morte suspeita. A professora de inglês e estudante universitária Renata Gonçalves Rodrigues, 26 anos, foi encontrada morta no início de maio, debaixo do viaduto da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255), a Bauru-Jaú, na altura do Zoológico Municipal de Bauru.

O carro dela, um Corsa, estava estacionado em cima do viaduto, intacto. Renata também estava com os documentos pessoais. Não foi encontrado dinheiro com ela, mas a polícia não sabe se ela trazia consigo valores em moeda corrente. A necropsia não encontrou sinais de violência sexual nem de lesões de defesa pelo corpo. Boletim de Ocorrência elaborado pelo Plantão Policial da Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita. De acordo com o delegado Abel Cortez, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a apuração do caso está adiantada, mas detalhes ainda não podem ser revelados.

Comentários

Comentários