Já está em vigor em Bauru um protocolo unificado de atendimento de urgência em caso de acidentes de grandes proporções, como enchentes, deslizamentos de terra e vazamentos de produtos químicos. Trata-se de um plano de ação integrada entre órgãos como Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros, hospitais, entre outros que prestam atendimento a vítimas de acidentes. A expectativa é que o Ministério da Saúde aprove o plano e libere R$ 2 milhões para Bauru até 2010. O projeto é usar o dinheiro na construção de uma ou mais Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs).
Na UPA, a vítima de acidentes seria estabilizada e encaminhada para a unidade de saúde especializada. De acordo com o médico José Eduardo Passos, coordenador do Samu em Bauru, o plano de ação integrado de Bauru foi encaminhado a Brasília e tem recebido diversos elogios, sendo usado como modelo para outros municípios. O protocolo foi elaborado a pedido do Ministério da Saúde, durante o 1o Encontro Nacional de Catástrofes realizado pelo Ministério, em Curitiba.
Na ocasião ficou previsto que os municípios que possuem Samu iriam elaborar um pano de atenção a múltiplas vítimas. “No Brasil nós não temos nenhum plano de ação conjunta com o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, DER (Departamento de Estradas e Rodagens), que contemple um atendimento adequado à população”, afirma Passos. Segundo ele, o que ocorria em Bauru até a elaboração do plano era, em caso de acidente de grandes proporções, cada setor atuar de uma forma. Por isso, explica, nem sempre os hospitais estão aguardando as vítimas. Em outros casos, vítimas de queimaduras são levadas para hospitais que não possuem unidade de queimados. A partir desse diagnóstico, o Ministério da Saúde propôs que cada município criasse um comitê gestor responsável pela elaboração do plano de atenção a múltiplas vítimas.
Em Bauru, já foram realizadas várias simulações de desastres com a participação dos órgãos que assinaram o protocolo. Por que é importante esse plano de atenção para Bauru? Já houve uma queda de aeronave na cidade, nas rodovias que circundam o município passam vários caminhões transportando produtos perigosos. Segundo Passos, nas estradas no entorno de Bauru passa amônia, um produto que, se vazar, forma um raio de um quilômetro de gás tóxico e não há recursos para atender esse tipo de ocorrência na cidade. Além disso, há os estoques de produtos perigosos, gases inflamáveis, postos de gasolina nas principais rodovias, entre outros riscos.
O plano de ação foi assinado pelas polícias Rodoviária, Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Samu, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), secretarias de Planejamento, de Meio Ambiente e de Saúde, Departamento de Água e Esgoto (DAE), Defesa Civil, DER, hospitais, Universidade do Sagrado Coração (USC), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Ministério Público (MP), entre outras entidades.
De acordo com Passos, se o projeto for aprovado, além dos R$ 2 milhões, Bauru receberá mais R$ 360 mil mensais para custear os recursos humanos. Desses R$ 360 mil, metade deve ser custeada pela Prefeitura. Os R$ 2 milhões seriam utilizados na construção de uma UPA grande ou várias menores, espalhadas pela cidade.
A UPA é uma unidade que servirá para atender o paciente de urgência e emergência em clínica médica, ortopedia, odontologia, pediatria e ginecologia e obstetrícia. “Esse paciente terá até 48 horas para permanecer na UPA. Não é uma unidade hospitalar, mas de estabilização clínica do paciente. Dali, ou ele é internado ou recebe alta, dependendo da gravidade”, frisou, explicando que com o Samu, ao invés de levar o paciente ao Pronto-Socorro, encaminha para essa UPA.