Jaú - A Justiça do Trabalho em Jaú (47 quilômetros de Bauru) bloqueou contas bancárias de empresas do Grupo Atalla para pagamento de rescisões de contrato de trabalho de mais de 800 trabalhadores demitidos, atendendo pedido liminar em ação civil pública do Ofício de Bauru da Procuradoria Regional do Trabalho da 15.ª Região.
A liminar foi concedida anteontem pelo juiz José Roberto Tomazzi, da 1.ª Vara do Trabalho da Comarca de Jaú. As demissões ocorreram a partir de novembro do ano passado. Segundo o procurador do Trabalho, Luís Henrique Rafael, já estão bloqueados aproximadamente R$ 2,5 milhões das contas bancárias de empresas do Grupo Atalla, valor que está à disposição da Justiça do Trabalho.
Rafael acrescenta que, conforme levantamento da própria Justiça do Trabalho, os recursos bloqueados também serão destinados ao pagamento de mais de 700 ações trabalhistas que tramitam nas duas Varas do Trabalho de Jaú. “Segundo informações da própria Justiça do Trabalho, centenas de processos contra o Grupo Atalla tramitam há anos lá e até hoje não tinham obtido numerário (dinheiro) para efetuar o pagamento. Na maioria dos casos, dava execução negativa porque não se encontrava bens”, ressalta o procurador.
A ação civil pública foi proposta pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) no último dia 4 de junho. Os cerca de 800 trabalhadores demitidos desde o fim do ano passado eram cortadores de cana, trabalhadores da indústria química e alimentação (produziam açúcar e álcool), motoristas de transporte de cana da frente de trabalho para a usina e vigilantes.
De acordo com Rafael, entre as contas que teriam sido bloqueadas estavam as das empresas Central Paulista de Açúcar e Álcool, de Jaú, e da Ciplan Cimentos Planalto S/A, com sede em Brasília, que integram o Grupo Atalla. “Outras empresas da região de Jaú também tiveram seus ativos bloqueados e estão indisponíveis”, explica.
Em 8 de dezembro último, o JC noticiou que o Grupo Atalla havia demitido 500 trabalhadores rurais. Na época, a empresa alegou que as demissões eram em relação ao fim da safra de cana-de-açúcar. No entanto, informações dos sindicatos que representam os cortadores de cana garantiam que as dispensas eram em maior número e tinham relação com o acordo entre Atalla e o Grupo Cosan.
Ontem, Rafael disse ao JC que a maioria das terras do Grupo Atalla, na microrregião de Jaú, estaria arrendada para o Grupo Cosan. O MPT moveu a ação com base em denúncias de que a Cosan, por conta do acordo, teria antecipado ao Grupo Atalla um valor equivalente a cinco anos de arrendamento.
O JC tentou ouvir algum representante do Grupo Atalla em Jáu por telefone, ontem. No entanto, não houve retorno da empresa até o fechamento desta edição.