Quem saberá, com certeza, explicar os insondáveis mistérios do Amor? O que é isso que ninguém explica, mas todos sentem, cedo ou tarde, pela pessoa certa e/ou pela pessoa errada? Qual é a força incontrolável que leva o ser humano a lutar, muitas vezes, contra tudo e contra todos e até mesmo contra si mesmo, contra a própria razão, contra o bom senso, contra os seus princípios, a sua cultura, a sua religião?
A história, a literatura, a filosofia, a mitologia, ao longo dos séculos, nos trazem relatos, verdadeiros uns, ficcionais outros, mas todos tendo o mesmo enfoque do amor, incontrolável, avassalador.
Na história, amantes imortais verdadeiros, como Camões relata no seu famoso “estavas linda Inês posta em sossego...”, onde esplende o grande amor de D. Pedro I de Portugal, por Inês de Castro, uma simples camponesa que o pai do rei mandou matar na ausência do amado e que ele, na volta, faz coroar rainha, mesmo estando morta. Na literatura, deparamos com imortais amantes que se amaram contra tudo e contra todos e por amor morreram, os eternos amantes Romeu e Julieta.
Dando um longo salto no tempo, vamos encontrar, em tempos quase atuais, os filósofos cuja filosofia de vida uniu, como Simone de Beauvoir e Paul de Sartre, e no Brasil Jorge Amado e Zélia Gatai.
Na mitologia, onde os homens colocam, por meio da imaginação, suas paixões em seres mitológicos feitos à sua imagem e semelhança, vamos encontrar um número imenso de amores ilícitos e pecaminosos, como o de Édipo pela mãe, Jocasta, o de Eletra pelo pai, Agamenon, que Freud tão bem aproveitou para desvendar os mistérios da alma humana por meio dos seus complexos, ligando o amor à sensualidade.
E quando adentramos o campo vasto do amor ligado à sensualidade, ainda com mais mistérios nos deparamos. Que tipo de misterioso amor liga um homem a outro homem, ou a mulher a outra mulher?
E as idades? Como se pode entender o caso do rapaz que casou com a velhinha pela qual ele era profundamente apaixonado? E eu não estou falando de interesses outros, mas apenas e tão somente em amor, Amor profundo, imenso, inexplicável.
Enfim, o amor é como Deus, acredita-se ou não se acredita, mas ele está lá, dentro da nossa mente.
*A escritora Isolina Bresolin Vianna é titular da cadeira 12 da Academia Bauruense de Letras