Bairros

Bolo de Sto. Antônio é recheado com 400 medalhas, duas de ouro

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A receita do pão-de-ló é simples: três xícaras de farinha, duas de açúcar, três ovos. O problema é quando tem que multiplicar isso por 600. Ontem, 25 voluntários trabalharam o dia inteiro na confecção dos 3 mil quilos de bolo (com recheio) que a Paróquia de Santo Antônio, na Bela Vista, faz anualmente. Neste ano, a novidade é que além das 400 medalhinhas com a imagem do padroeiro, duas medalhas de ouro serão colocadas no recheio do bolo.

A bênção do bolo será às 7h de hoje, dia de Santo Antônio, e em seguida começará a venda dos pedaços da guloseima. De acordo com o pároco frei Jorge Luiz Maoski, o bolo terá aproximadamente 160 metros de comprimento, feito com 600 placas de pão-de-ló, que foram levadas já assadas à cozinha da paróquia, e recheadas com creme branco com coco e abacaxi.

O recheio e a cobertura foram feitos pelos voluntários da comunidade. Eles começaram a trabalhar às 7h de ontem e a previsão era terminar por volta das 17h. “Usamos 200 abacaxis, 300 litros de leite, 300 latas de leite condensado, 300 de creme de leite, além de muito amor e carinho”, conta Julieta Pini, voluntária na paróquia desde a década de 60. “Ficou muito bom”, garante Vera Lúcia Simioni Tondim, outra voluntária.

A cada ano, o desenho do bolo é diferente e a decoração do confeito é escolhida pelos paroquianos que trabalham na confecção. Este ano, o bolo recebeu cobertura branca, com detalhes em amarelo e desenhos de cruzes. “Todo mundo dá o seu palpite”, conta Pini.

Além do creme e da fruta, o bolo também terá como “recheio” 400 imagens de Santo Antônio. “Elas são colocadas dentro do doce. Por isso, o pessoal deve ficar atendo na hora de comer”, recomenda o frei. Porém, os fiéis ainda podem ganhar uma das medalhas de ouro que serão colocadas no confeito. Uma foi doada e a outra foi adquirida pela própria paróquia. “A que nós adquirimos é menor, mas é em ouro puro. E custou em torno de R$ 70,00. A outra é bem maior e, como foi doada, não sei especificar o valor”, conta o frei Jorge Luiz. Achar uma medalha no bolo dá sorte, segundo a tradição.

Os pedaços poderão ser adquiridos logo após a bênção. Uma fatia generosa custa R$ 3,00, mas quem quiser levar para a família, pode adquirir um pedaço maior, por R$ 10,00, que é o equivalente a cinco fatias. E é bom se preparar, de acordo com o frei. No ano passado, a fila para comprar o doce começou por volta das 6h. “Todos os anos a gente pensa em fazer um pouco a mais que o anterior. No ano passado, o bolo acabou por volta das 16h”, alerta.

O dinheiro arrecadado com o bolo e durante a 68.ª Quermesse de Santo Antônio será utilizado nas obras sociais da paróquia e em algumas reformas e construções que estão em andamento. “Estamos terminando a construção do salão paroquial e também utilizamos na manutenção da paróquia”, conta o frei.

Durante a quermesse, a igreja também está rifando duas imagens de Santo Antônio. “Elas ficam no andor, colocado no altar, durante toda a trezena em louvor a Santo Antônio, e depois são sorteadas”, explica o frei.

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Há 59 anos, casal se conhecia na quermesse

Eles juram que não fizeram promessa, mas a mão de Santo Antônio deu uma grande ajuda ao casal Caetano. Em 1949, eles se conheceram durante uma quermesse em louvor ao santo casamenteiro, na então capela de Santo Antônio, no Jardim Bela Vista. Neste ano, comemoram 55 anos de união.

Na época, Antônia tinha 17 anos e trabalhava na barraca de pesca da quermesse. Artêmio, com 20 anos, era funcionário administrativo da Noroeste do Brasil e estava na festa com amigos. “Percebi que ele estava conversando com colegas, mas sempre me olhando”, lembra Antônia. Nos últimos dias da quermesse, Artêmio, depois de mandar vários recadinhos sem ter resposta, criou coragem e foi puxar conversa.

O romance começou dias depois, quando se encontraram ao acaso no cinema. “Ela estava numa poltrona e eu sentei do lado dela”, lembra Artêmio. O resultado foi o casamento em janeiro de 1953. Seis filhos, nove netos e três bisnetos depois, eles continuam freqüentando a quermesse de Santo Antônio. “Nós atuamos na Paróquia de São Sebastião, mas temos amigos e pessoas muito queridas lá na Santo Antônio”, revela Antônia.

O segredo para 55 anos de união é, segundo Antônia, paciência e muito respeito. “Também tem que ter muita compreensão e amor”. E a participação de Santo Antônio nesse casamento? “Acho que tem a mão dele sim. O nosso casamento é tão bom e tão puro que eu acho que quando a gente se conheceu ele disse: esses dois vão dar certo”, finaliza Antônia.

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