Parecia uma operação de guerra: cavalaria da PM, duas viaturas e muitos curiosos em frente a uma loja famosa da Batista de Carvalho. A impressão que dava era que criminosos haviam invadido a loja e feito vários reféns. Mas com o passar do tempo, a movimentação no local foi justificada. A causa? Três crianças tinham furtado objetos da loja.
Eram crianças que aparentavam ter entre 4 e 7 anos. Sentadas no chão, elas choravam de medo por terem sido surpreendidas pela polícia. As pessoas que passavam pelo Calçadão ficaram indignadas por haver tanto tumulto em torno de um fato aparentemente não grave. Faço uso desta coluna para dizer que concordo com a necessidade de tomar medidas para evitar que pequenos furtos sejam cometidos na cidade. De maneira nenhuma quero apoiar as crianças. Mas o que me chama a atenção é a forma como a PM tratou o caso. Tantos crimes são cometidos diariamente na cidade, tantos fatos ainda em fase de investigação, tantas famílias que ainda buscam justiça, e o que a gente vê é uma mobilização de policiais em torno de um caso simples e que não apresentava riscos para as pessoas que estavam na loja ou no entorno dela.
Ver a cavalaria da PM no local foi o cúmulo. Se eles queriam evitar causar constrangimentos às crianças, pedindo para que os curiosos se afastassem, o que eles pretendiam com aqueles três cavalos e com aqueles homens armados em cima do acontecimento?
Depois de presenciar uma cena lamentável como essa, volto para a casa, para o trabalho, com uma única certeza: existe impunidade no Brasil devido a casos como esse. Que há complexidade no caso, por estarem envolvidas crianças em furtos de objetos relativamente caros, eu não duvido. Mas chamar duas viaturas e a cavalaria da PM é uma falta de bom senso imensurável. Nota 0 para a Polícia Militar de Bauru. Tenho certeza que não só eu como todos os que estavam na Batista ontem à tarde compartilham dessa mesma opinião.
Aelton Aquino - estudante de Jornalismo da Unesp