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Beisebol: Bauruenses vão disputar Mundial

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru estará representada no Campeonato Mundial de Beisebol, na categoria infantil, em julho, no Japão. Júlio Kenji Nakayama e Rodrigo Norio Tsuhako, que moram na cidade, integram a lista dos convocados para a seleção brasileira da modalidade, na categoria 11 a 12 anos. Os primos, que treinam no clube Nikkei, de Marília, já participaram de outras competições de âmbito continental com a seleção do Brasil e seguem com os preparativos para defender as cores verde e amarela na “Terra do Sol Nascente”.

Júlio e Rodrigo, que já foram campeões brasileiros e interseleções da modalidade, jogam desde 2004, quando, movidos pela curiosidade e influenciados por um primo mais velho, começaram a praticar a modalidade no clube mariliense. A mãe de Rodrigo, Yaeko Nakandakari Tsuhako, é testemunha do interesse repentino que frutificou em jogos internacionais. “Ele (Rodrigo) quis jogar e fomos com ele para Marília. Pensávamos ser um interesse repentino, coisa de criança que se apega facilmente a algo e logo depois se desinteressa. Para nossa surpresa, ele tomou gosto e segue até hoje”, conta, orgulhosa.

Yaeko revela que os dois primos chamaram, de cara, a atenção do treinador que os recebeu, mesmo sem ambos, até então, jamais terem contato, em campo de jogo, com luva, bola e bastão. “O técnico bateu o olho e disse que os dois levavam muito jeito. No começo achei que ele (o treinador) dizia isso apenas para nos agradar, já que viajamos de Bauru para Marília para que os meninos pudessem jogar”, relata.

Com experiência anterior pela seleção no campeonato sul-americano, disputado em 2006 na cidade argentina de Córdoba, Rodrigo só não disputou o Panamericano, ano passado, na Venezuela, por causa de um “adversário” que terá de superar com muita força de vontade, se quiser ir para o Mundial no Japão. “Ele tem medo de avião”, diverte-se Yaeko. “Mesmo assim vou”, rebate Rodrigo, que joga no time brasileiro na posição de “jardineiro direto”, com participações também no arremesso, segunda base e defesa. “A vontade de conhecer o Japão é maior que o medo de avião”, justifica a mãe do jogador.

Tanto o sul-americano quanto o torneio da Venezuela estão no currículo de Júlio. O jovem atleta, que atua na posição de receptor, já arrisca palpites sobre os principais adversários que terá de superar para garantir uma boa participação da equipe brasileira do outro lado do mundo. “Acho que o Japão, México e China estarão fortes”, opina o jogador, que acredita num bom desempenho do time brasileiro.

Orgulhosa, Neide Oshiro, mãe de Júlio, cita a persistência dos primos na prática do esporte. “Eles treinam em Marília, geralmente, aos finais de semana. Júlio ‘engole’ o almoço na sexta e logo viaja para poder jogar. Ainda bem que o time mudou um pouco a sua rotina, fazendo com que eles possam acompanhar melhor os treinamentos”, atribui Neide.

Além de acompanhar o sucesso dos primos, que viajarão sem os pais, apenas com a delegação brasileira, os pais também creditam à modalidade esportiva mudanças positivas na rotina familiar. “Começamos a entender o jogo e hoje vibramos com o beisebol mais do que o futebol. O esporte encantou a todos nós, não apenas pelos lances, mas pelo espírito de equipe e igualdade entre todos os membros do time. Independentemente de classe social, todos são unidos e buscam um objetivo em comum. Não há estrela”, elogia Yaeko.

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