Antes de dizer os nomes dos caras da banda, antes de contar de onde vieram e como começaram, antes mesmo de explicar o porquê do nome e as influências (ninguém mais tem saco para isso!), vou logo dizendo: o som desses paulistas interioranos é honesto!!!
Fui logo tocando nesse quesito, pois, num momento em que a indústria do disco, até então tida como o Golias, se vê acuada pelo crescimento assustador da música independente, outrora considerada o Davi! Trocadilhos infames à parte, justamente quando “formadores de opinião” dão tanta importância ao ato de rotular, ouço um CD composto e gravado de maneira livre, um trampo com algo que, pelo menos para mim, é importantíssimo para uma banda de rock: a preocupação de contar histórias de onde vivem, que vêm em forma de letras minimalistas, falando de situações cotidianas emblemáticas.
Que bom! Pois é assim que o rock se renova e ganha energia a cada dia! Repare que nem ao menos opinei se o som é bom ou ruim. A intenção não é essa. Como sempre acontece, muitos vão gostar, outros não. Que maravilha, é assim que o rock se reinventa a cada dia! Aliás, como bem dizia um carioca, “toda a unanimidade é burra”!
Mas agora, meus bons, caindo no mundo real das resenhas de discos, eles são um trio melodioso e pesado. De cara você percebe que os caras ouvem e ouviram muita coisa legal. Ska, Metal, Punk Rock, Reggae, Surf Music e Música Brasileira (assim com letra maiúscula), que, adaptados ao mundo deles e tocados sem terem perdido longos dias no IG&T, chegam aos nossos ouvidos como algo novo! Abaixo a ditadura do sotaque! Abaixo a ditadura dos temas e fórmulas de sucesso!
Ouvindo esse CD, rapidamente percebemos que, sucesso para eles é poder tocar e trabalhar com música! Sem a pretensão de salvar o rock, sacou? O texto ia acabando e eu ia me esquecendo de várias coisas. Eles se chamam OS PATRÕES e, para escrever essas linhas ouvi o 2° disco da banda, COBAIA, 12 faixas e uma capa chapada! Rafael, guitarra e voz, Guto, bateria e voz e Spilari, baixo e voz. Eles são OS PATRÕES! Ah... lembrei de dizer mais uma coisa essencial: assistam ao show. Energia de um power trio, esperteza e peso! Tchau.
Ivo Córsega