Bruxelas - Além do “não’’ irlandês, o Tratado de Lisboa tem dois obstáculos pela frente. O primeiro, a relutância da República Tcheca em ratificar o pacote de reformas das instituições européias, já era previsto. O segundo surgiu de onde menos se esperava: do Reino Unido.
Depois de ser coberto de elogios no primeiro dia da cúpula de Bruxelas por ter conseguido superar o tradicional euroceticismo de seu país e levado adiante a ratificação do tratado no Parlamento britânico, hoje o primeiro-ministro Gordon Brown revelou que o jogo ainda não está terminado.
Ontem, um juiz da Alta Corte britânica pediu que o governo adie a ratificação formal do tratado até que possa dar um parecer, provavelmente nesta semana, sobre uma ação judicial que pede um referendo, a exemplo do que ocorreu na Irlanda. A ação foi apresentada pelo milionário Stuart Wheeler, doador do oposicionista Partido Conservador.
A surpresa britânica adicionou mais uma dose de drama à crise deflagrada na semana passada, quando o Tratado de Lisboa foi derrotado em um referendo na Irlanda. No documento final da cúpula de Bruxelas, os líderes europeus, sem alternativa, empurraram o problema para outubro.
“O Conselho Europeu concordou com a sugestão da Irlanda de voltar ao tema em sua reunião de 15 de outubro, a fim de considerar o caminho a seguir’’, diz a declaração.
Sarkozy critica Mandelson
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, voltou a criticar Peter Mandelson, comissário do Comércio da União Européia (UE), afirmando ontem que o britânico era em parte responsável pelo fato de os irlandeses terem rejeitado o Tratado de Lisboa. Sarkozy critica há tempos Mandelson, acusando-o de fazer concessões demais em questões agrícolas durante a rodada de negociações de Doha.
Controle de fronteiras
A UE caminha para aumentar o rigor no controle de suas fronteiras. Ao concluírem a reunião de cúpula do Conselho Europeu, os 27 líderes do bloco pediram medidas mais duras de monitoramento, entre elas um sistema de autorização prévia de viagem e o registro de informações biométricas, incluindo impressões digitais.
As propostas, que os chefes de governo esperam ver implementadas até o início de 2010, devem reforçar as críticas de governos estrangeiros e ativistas de direitos humanos ao aumento das restrições à circulação de pessoas no território da União Européia.