Na página 4 do Jornal da Cidade de hoje (21/6), leio que o médico/deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB, bancada da situação no Congresso), “natural de Franca (SP), seu principal reduto eleitoral” (desnecessário grandes exercícios intelectuais para atinar com a razão de ele estar por estas plagas, não é?), ao afirmar, com todas as suas discutíveis argumentações, que é peremptoriamente a favor de uma nova derrama “apelidada” de Contribuição Social para a Saúde (CSS, que já foi CPMF), simula (ou ignora) são saber que: 1 - antes da revogação pelo Senado da prorrogação da famigerada CPMF, já havia em discussão no Congresso a Emenda à Constituição nº 29, que destina 10% do orçamento total da União obrigatoriamente à Saúde. No Congresso, a Emenda 29 já está aprovada e Luiz Inácio não a sancionou, ainda, justamente para poder (mas não poderá, verão)aprovar adicionalmente a ela também a CSS. Levando-se em conta as previsões de arrecadação futuras e presente, estima-se que apenas a Emenda 29 proporcionará à Saúde uma verba de R$ 450 bilhões. Assim, a eventual aprovação da CSS (cuja arrecadação, também estimada, seria de cerca de R$11 bilhões, se a taxação fosse 0,10% como se propalou) estaria, então, provocando uma dupla contribuição para a Saúde. Isso seria um verdadeiro “bis in idem”. Um esbulho!
2 - Já na madrugada de 23 de dezembro de 2007, durante o processo de votação de sua prorrogação, o governo ordenou a seus sequazes no Senado que entregassem à mesa um ofício em que, como último e desesperado recurso, suplicava a prorrogação da CPMF. Em contrapartida, “jurava” aplicar 100% dos recursos que seriam arrecadados nos serviços da Saúde nacional. Em outras palavras cerca de 80% do recolhimento da CPMF vinha sendo desviado, até então, para a política sindical/eleitoreira do desperdício e da esbanjamento contumaz, adotada pelo governo aparelhado pela turba do PT (e agora, percebe-se, do PSB, também).
3 - Prova do que digo é a indignação do próprio senador Mercadante (PT-SP) que, segundo o jornal O Estado de São Paulo, em reunião com Luiz Inácio, Mantega, Meirelles, Roussef e outros da área financeira no terceiro andar do Palácio do Planalto, foi absolutamente contra a nova Contribuição Social para a Saúde, por considerá-la inflacionária, nestes dias em que a volta da inflação parece escapar do controle da Fazenda e do Banco Central. Por isso mesmo (e também por medo de mais um fiasco de Luiz Inácio no Senado) o adiamento de mais esse imposto burro, alcunhado de “Contribuição”, para depois das eleições municipais de outubro.
Os leitores do Jornal da Cidade notarão que, doravante, mais e mais aves de arribação estarão sobrevoando com vistosos jatinhos os céus desta já sofrida urbe. Imperioso, entretanto, que o povo de Bauru não se deixe, embevecido pelo canoro canto dessas aves de vistosa plumagem, ser levado por falsas argumentações que, bem pesadas, têm apenas a intenção de angariar para si e para os que lhes determinam o que e como devem ser feitas as coisas, os votos dos eleitores mais incautos. Tem sido assim desde muito tempo. É preciso, agora mais que nunca, dar um basta a essa ciranda de intolerável e verdadeiro furto de votos! Vamos, antes de mais nada, votar (ou investir) em nós mesmos!!!
João Guilherme Ortolan - RG-10.938.473