Polícia

Apreensão de maconha cresce 178%

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Quase 90 quilos de entorpecentes foram apreendidos em Bauru nos cinco primeiros meses deste ano. O levantamento feito pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) também mostra que de janeiro a maio de 2007 foram recolhidos 50,59 quilos de drogas entre maconha, cocaína e crack. No mesmo período deste ano, o número quase dobrou. Ao todo, foram apreendidos 86,71 quilos de entorpecentes. Somente as apreensões de maconha saltaram de 26,04 quilos, entre janeiro e maio de 2007, para 72,58 quilos do início deste ano até o mês passado.

Para a delegada titular da Dise, Rejani Borro Tiritan, a intensificação da fiscalização em unidades penitenciárias da cidade pode ter contribuído para o aumento da quantidade de maconha recolhida. “A maconha é a droga mais consumida entre os detentos. E as penitenciárias da cidade estão efetuando muitas apreensões desse entorpecente”, observa.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), por meio de sua assessoria de comunicação, informa que as revistas foram intensificadas em todas as unidades prisionais do Estado, com o objetivo de coibir a entrada de objetos não permitidos, como entorpecentes e telefones celulares.

Enquanto as apreensões de maconha aumentaram, as de crack e cocaína caíram. Nos cinco primeiros meses de 2007, foram recolhidos 16,8 quilos de cocaína. Neste ano, foram 10,5 quilos, uma queda de 37%. As grandes pedras e pequenas porções de crack somaram 7,70 quilos de janeiro a maio de 2007. No mesmo período deste ano, foram 3,54 quilos, um redução de 54%.

Mas até o final do ano, esse quadro pode sofrer alterações. “Muitas investigações estão em andamento e nos próximos sete meses, com o sucesso dessas operações, pode ocorrer mudanças”, observa Tiritan.

Toda a droga apreendida em Bauru por policiais civis, militares e rodoviários, além de agentes penitenciários, foi encaminhada à Dise. A delegacia só não recebe as apreensões feitas pela Polícia Federal. Para a delegada, as apreensões vêm crescendo anualmente. Ela pondera que, ao se analisar a dinâmica do tráfico de drogas na cidade, é preciso levar em consideração uma série de fatores, como aumento populacional e agravamento de crise econômica. “Quanto mais a situação se agrava, mais pessoas partem para o tráfico”, observa. “Temos registros de famílias inteiras envolvidas”, conta a delegada.

Tiritan analisa que o volume recolhido é variável. Neste ano, por exemplo, somente a quantidade de maconha apreendida de janeiro a maio é maior do que toda a droga encontrada em Bauru no mesmo período no ano passado. “O volume de apreensão não segue uma lógica. Às vezes, uma única ação supera tudo o que já foi recolhido durante o ano”, explica.

Para a delegada, como grande parte das apreensões de maconha são feitas pelo Policiamento Rodoviário, Bauru poderia não ser o destino final desse entorpecente. A entrada da maconha no Brasil geralmente é feita pela fronteira com o Paraguai. E para chegar à Capital, os traficantes utilizam as rodovias. Além disso, a droga é uma das mais consumidas no País. “O usuário de maconha tem um perfil diferenciado. Ele não acredita que essa droga possa viciar”, diz a delegada.

Ela destaca que o tráfico de drogas está diretamente ligado a outros índices de criminalidade. Para combatê-lo, a meta é intensificar a ação. “A polícia, a cada ano, melhora suas estratégias para estar sempre à frente dos traficantes, com investigações e se especializando cada vez mais”, conclui a titular da Dise.

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