Cerca de 130 pessoas, entre assentados no Horto Florestal Aimorés e famílias sem-terra, todas ligadas à Associação Terra Nossa, ocuparam ontem uma área de cerca de 130 alqueires localizada nas proximidades do Núcleo Bauru 1. A gleba é reivindicada pelo empresário Junji Nagasawa, que afirma ter comprado a fazenda de terceiros e ter documento que comprova a posse.
Mas o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sustenta que a área pertence ao Horto Aimorés e, por isso, ingressou na Justiça Federal solicitando a reintegração de posse para que as terras sejam destinadas à reforma agrária. O objetivo da ocupação é acelerar o processo de reintegração da fazenda e do assentamento de 32 famílias ainda sem lotes no Horto Aimorés, explica Ivail da Silva, presidente da associação.
Com barracas montadas na fazenda, o grupo estabeleceu prazo de 24 horas, até hoje à tarde, para que Nagasawa retire seu gado e bens móveis da fazenda. “Ele tem gado e máquinas que são facilmente retirados. A casa e o barracão são indenizáveis pelo Incra”, comentou.
Porém, o advogado de Nagasawa, Fábio Simonetti, afirma que ainda não há decisão judicial sobre a quem pertence a fazenda. “Pelos documentos, esta área da fazenda não pertence ao horto”, frisa. Ele ressalta que seu cliente não foi notificado pelo Incra a sair da propriedade nem que será indenizado pelas benfeitorias. “E para retirar as 400 cabeças de gado de lá, são necessários uns 30 dias porque é uma operação que envolve, inclusive, vigilância sanitária”, frisa.
Pela manhã, a Polícia Militar foi acionada e acompanhou a ocupação. A única ocorrência foi a apreensão de um revólver calibre 32 perto da entrada da fazenda. À tarde, um representante de Nagasawa, o padre João Batista Aoki, conversou com os integrantes da Associação Terra Nossa na tentativa de um acordo. Porém, segundo Simometti, não houve consenso entre as partes.