Bairros

Estilo de vida do jovem influi em risco de doença cardíaca quando adulto

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Cigarro, cerveja, uma dieta baseada em batata frita e refrigerante e disposição zero para esportes. Os jovens podem não perceber, mas esse conjunto de fatores é determinante para um problema que, aos 18 anos, eles nem sonham em ter: doenças cardiovasculares. Caso não se conscientizem, os problemas vão surgir mais cedo do que imaginam. Esse é o alerta do cardiologista Christiano Barros, que nesta semana percorre escolas públicas de Bauru para dar palestra sobre o tema. “É essencial o jovem adquirir hábitos saudáveis, pois mais tarde, será mais difícil mudar o seu comportamento”, afirma.

De acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, até os 29 anos, a principal causa de mortes no País são externas, como acidentes e violência. As doenças do sistema circulatório, como problemas cardíacos e derrames, não passam dos 5%. Mas a partir dos 40 anos, as doenças cardíacas disparam como a principal causa das mortes no Brasil, chegando aos 34% aos 50 anos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa a cada três no planeta vai morrer de problemas cardíacos. Em Bauru não é diferente. Em 2006, dos 2.108 óbitos registrados na cidade, 713 foram provocados por problemas cardiovasculares.

O cardiologista destaca que é possível prevenir as doenças do coração e os adolescentes devem se conscientizar disso. “Se uma pessoa infarta com 60 anos, é decorrente de uma história de vida de mais de 30 anos que a levou a isso”, observa. “E se o adolescente tem um hábito alimentar ruim, ao chegar à idade adulta, será mais difícil reverter”, pondera o médico, que é presidente da regional Bauru da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

Ou seja, se preocupar com problemas cardíacos não é coisa para a terceira idade. “Ainda mais se na família existir fator de risco, como infarto abaixo dos 50 anos”, observa Barros. Nesses casos, uma postura mais alerta, com acompanhamento médico, deve ser adotada aos 18 anos. Outro sinal de perigo são mortes súbitas na família, que podem indicar algum problema congênito.

Conjunto mortal

Se o adolescente não possui este histórico, é preciso ficar atento às doenças cardíacas adquiridas e, entre elas, o infarto é o que mais mata, seguido dos acidentes vasculares cerebrais. Aí entra a prevenção e a necessidade de uma boa qualidade de vida. “Hipertensão, diabetes, tabagismo, etilismo e obesidade formam um coquetel nocivo ao coração”, avalia Barros.

“O mais preocupante é que cada vez mais, o início dos sintomas é mais cedo. Já acompanhei o caso de um rapaz de 28 anos infartado. Com essa idade ele já é um coronariano e terá um prognóstico de vida mais curto”, pontua. O médico destaca que a solução do problema está na adoção de uma política de prevenção a longo prazo. Por isso, a necessidade de conscientizar os jovens.

“A faixa etária das mortes por doenças cardiovasculares atinge uma grande faixa da população economicamente ativa. Além disso, também geram impacto na previdência privada”, pontua.

Para que os maus hábitos não se transformem em idas freqüentes ao médico, Barros sugere aos adolescentes abandonar o cigarro, adotar uma dieta equilibrada e praticar atividades físicas. “Busque e incentive em sua própria casa práticas mais saudáveis”, aconselha.

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