Tribuna do Leitor

Manchetes agrícolas


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Em referência à carta do sr. Maurício (Manchetes corretas - 17/06), contestando meu comentário acerca das últimas manchetes agrícolas do JC, gostaria de informá-lo que:

a) O trabalho que originou a manchete sobre preços de terras na região de Bauru está incorreto, não correspondendo, nem de longe, aos preços aqui praticados. Foi um equívoco muito grande da autora do trabalho, a serviço da FNP, empresa de credibilidade, como o senhor afirma, mas que também erra. E errou, o senhor sabe bem disso, mas preferiu ratificar as informações quando consultado.

Só para relembrá-lo, segue a frase equivocada e que gerou a manchete: “... Segundo o estudo, o valor do hectare das terras destinadas à agricultura passou de R$ 8.223,00 no bimestre março/abril de 2005 para R$ 19.030,00 neste ano. A alta é de 131,42%”. Realmente, os números não foram criados aqui, mas o senhor concordou com eles e com isso permitiu que uma informação equivocada virasse manchete. A Folha de São Paulo publicou o trabalho em nível nacional, que deve merecer credibilidade, mas que, repito, equivocou-se em relação à região de Bauru.

b) No que se refere à outra manchete, mais recente, sobre a falta de café em futuro próximo, trata-se de um exercício de futurologia igual a tantos que estamos acostumados a ouvir sobre o setor agrícola, mas que raramente se confirmam, não havendo justificativa para ocupar tamanho destaque no JC. O alarmismo inerente à matéria é de interesse duvidoso, talvez com o intuito de pegar carona no assunto do momento, a alta nos preços dos alimentos em nível mundial, este sim de importância capital para os brasileiros. As “maiores autoridades de café do mundo”, como o senhor afirma, certamente nunca iriam o dizer que vai sobrar café no mundo, pois isso seria contrário aos seus interesses.

Para completar, a afirmação contida no texto (que eu leio, sim senhor!) de que “como o café é cotado em bolsa de valores, acaba não ficando sujeito à lei da oferta e procura” é totalmente absurda, já que as bolsas, tanto de valores quanto de mercadorias, são operadas essencialmente em função da oferta e procura de papéis ou produtos. O mercado sempre encontra seus mecanismos de ajuste. O “alerta” assemelha-se à teoria de Malthus, que no século XIX “previu” a fome e a miséria da humanidade por falta de alimentos, teorizando que a produção destes cresceria em progressão aritmética, enquanto a população cresceria em progressão geométrica. Deu no que deu. Ainda estamos aqui, apesar dos pesares, dois séculos depois, ouvindo as mesmas bobagens. Que acabam virando manchetes.

Luiz Alberto Coradi - eng. agrônomo

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