La Paz - O governo boliviano considerou, ontem o referendo realizado no domingo pelo Departamento de Tarija, governado pela oposição, para declarar sua autonomia do poder central. A medida agravou a crise política da Bolívia, o país mais pobre da América do Sul.
Em Tarija ficam mais de 80 por cento das reservas de gás natural da Bolívia. Com a decisão de domingo, a região se somou a outras três controladas por partidos de oposição que desafiaram recentemente o governo central, de esquerda, declarando sua autonomia por meio de consultas à população.
Referendo de agosto
O presidente Evo Morales, de esquerda, busca consolidar seu programa de nacionalização da economia por meio de uma nova Constituição que irrita a oposição. Ele tentará revalidar sua autoridade em um referendo marcado para 10 de agosto.
Cinco governadores de oposição estavam reunidos ontem em Tarija para propor a anulação do referendo revogatório de seus mandatos e dos mandatos do presidente e de seu vice, marcado para agosto. Como parte de um diálogo de “reconciliação nacional”, o presidente reconheceria o resultado dos referendos por autonomia regional realizados desde maio em quatro departamentos (Estados) - Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.
“O (referendo) revogatório ficou anacrônico na realidade atual’’, disse o governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa. “É preciso começar um processo de reconciliação nacional”, afirmou Mario Cossío, de Tarija.