Apenas 5% das receitas médicas usadas na compra de remédios para emagrecer em Ribeirão Preto são emitidas por endocrinologistas, segundo dados de 2006 da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag).
O número foi citado como defesa aos ataques de entidades médicas após a divulgação do relatório anual da Jife, braço da ONU para questões de drogas. O documento põe o Brasil como o maior produtor e consumidor de remédios para emagrecer.
Em 2006, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) testou em Ribeirão, Campinas e São Paulo um modelo de fiscalizar as receitas, a ser usado no País. O sistema pesquisou 50 farmácias e constatou que apenas 5% das receitas eram de endocrinologistas.
“A prática não é ilegal, mas mostra que há abuso por parte dos médicos. Não podemos recusar a venda se há a receita’’, diz o farmacêutico Hugo de Souza, que propõe união da classe para impedir que médicos de outras especialidades receitem anorexígenos.
A cobrança é maior para as farmácias de manipulação, segundo Souza, porque a venda de remédios industrializados é mais fácil de ser controlada. “A fiscalização é maior conosco porque trabalhamos com a matéria-prima dos remédios.’’ Conselheiros do Cremesp (Conselho de Medicina do Estado de São Paulo) dizem que não há como mudar o preceito legal de que todos os médicos podem receitar qualquer remédio, mas que existe a tentativa de controle. “Apuramos a conduta quando há denúncias específicas. Fora disso, fazemos campanhas’’.
Para Walmir Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), parte do problema está no paciente, que ignora os riscos. “Quando o médico é responsável, ele não emite a receita. Mas muitos não são e cedem para não perder pacientes’’, afirma.
Segundo ele, anorexígenos só podem ser tomados por pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 30 - o que caracteriza a obesidade- ou índice superior a 25 para hipertensos e diabéticos. Os efeitos colaterais variam de surtos de pânico até a morte.