Polícia

Mãe acorrenta filho viciado em drogas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Na tarde de ontem, a Delegacia da Infância e Juventude (Diju) surpreendeu, em uma casa do Parque Bauru, um adolescente, de 16 anos mantido com uma corrente de quase cinco quilos e pouco mais de um metro de comprimento no pescoço. Durante às noites, ele era acorrentado à sua cama pela própria mãe, para não sair. Ela afirmou que passou a prender o filho, dependente de drogas, após ter sido alertada que ele seria morto.

José Dorneles Costa, delegado titular da Diju, informou que foi até a residência do garoto para apreendê-lo. O adolescente teria desrespeitado as regras da liberdade assistida, medida sócio-educativa que estava cumprindo. “Mas já tínhamos informações de que ele era mantido acorrentado em sua casa”, destaca.

Ao chegar no endereço, encontraram o garoto com a corrente no pescoço, fechada com um cadeado, assistindo televisão. Ele e sua mãe foram levados à Diju. Em entrevista ao Jornal da Cidade, ela revelou que acorrentou o filho há nove dias. “Foi a única forma que eu encontrei para ver ele fora de um caixão”, disse.

Ela, uma comerciante de 36 anos, contou que há quatro anos o garoto é viciado em entorpecentes e praticava furtos para comprar drogas e já tinha passagem pela Fundação Casa (antiga Febem). Recentemente, teria arrombado o carro da mãe para furtar o CD player. A mãe também contou que trabalha num bar e que já foi procurada no estabelecimento por pessoas afirmando que o filho seria morto.

Por isso, passou a prender o adolescente todas as noites, antes de ir trabalhar. “Fora isso, ele fica livre pela casa, pode circular pelo quintal”, contou. “Sei que ele vai ser recolhido e a minha esperança é que lá dentro ele encontre pessoas capacitadas para que ele se desintoxique e se conscientize”, disse ela, que garante não ter conseguido ajuda para internar o filho.

A mãe deverá responder inquérito por privação de liberdade do garoto, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente. De acordo com Dorneles, o caso será encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Ao saber da atitude da mãe, que acorrentou o filho viciado em drogas, Edmundo Chavez Muniz, diretor do ESquadrão da Vida, chamou a atenção para a situação vivida pela família. “A gente que convive com as famílias dos dependentes sabe que uma atitude assim é compreensível. Temos que considerar as circunstâncias que a levaram a isso”, comenta.

Ele ressalta que há casos em que o dependente químico vende móveis da casa, rouba a própria família e até leva o traficante para a residência. “Muitas vezes, a atitude extrema é tomada para não ver o filho morrer, por amor, e não por maldade como alguns podem querer julgar”, pondera.

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