O Batalhão Matricial de Choque realizou anteontem treinamento trimestral, voltado para as unidades operacionais de Bauru, Jaú, Marília, Lins, Assis e Ourinhos, subordinadas ao Comando de Policiamento de Interior-4 (CPI-4). Mais de 200 policiais participaram do treinamento, que visou aperfeiçoar as ações do Batalhão Matricial, formado por homens das Forças Táticas das cidades envolvidas.
Esta foi a segunda vez que os policiais das seis unidades operacionais se reuniram – a primeira foi em março. Apesar de realizarem treinamentos mensais em suas bases de operação, o Batalhão se reúne trimestralmente para fazer o treinamento conjunto. Segundo o major Wellington Venezian, comandante do Batalhão Matricial de Choque, esse treinamento é uma forma de padronizar as ações, usando os mesmos protocolos, para melhorar a performance em toda a área desse tipo de ação.
Entre as táticas aprimoradas no treinamento, está o tiro com munição de elastômero, a “bala de borracha”. Segundo o instrutor de tiro da Polícia Militar de Bauru, tenente Arthur Brandi Senioto, o treinamento consiste no uso da munição de baixa letalidade (elastômero). “O que é baixa letalidade? Ela não é não-letal mas não existe nenhum tipo de munição não-letal. Ela tem o índice de letalidade menor do que 2% na sua utilização”, frisou.
De acordo com Brandi, se for utilizada de maneira correta, ou seja, a uma distância segura, direção do tiro correta, abaixo da cintura, não há grande risco de letalidade. “Nós estamos passando a instrução nesse sentido para os atiradores do Batalhão de Choque”, explicou.
A munição com elastômero é um dos últimos recursos utilizados pelo Batalhão de Choque em situação de controle de distúrbio civil, externo ou interno, no caso de rebeliões em presídios ou locais fechados. “Para cada tipo de distúrbio existe uma munição adequada. As duas podem ser usadas, mas uma pode ser usada de um jeito e a outra, para outro tipo de situação”, salientou. “Se usada de maneira correta, a munição não penetra no corpo. Ela pode causar um hematoma e uma dor momentânea muito forte, que inutiliza o oponente naquele instante”, destacou.
A utilização ou não do elastômero depende da situação. Segundo Brandi, em uma ação de controle de distúrbio civil, primeiro se negocia, depois usa a munição química. Em seguida pode utilizar a munição de baixa letalidade e, por último, a carga de cassetete. “Mas é uma das últimas opções. Normalmente esse tipo de munição já resolve o problema”, ressaltou, afirmando que em alguns casos não se deve usar a munição para não provocar tumultos.
O treinamento do Batalhão Matricial de Choque foi acompanhado de perto pelo estudante Bruno Silvano da Silva Benvindo, de Lençóis Paulista. O menino foi levado pelo soldado PM José Cláudio Alves da Silva Carrillo Voros. Segundo Cláudio, Bruno pediu a visita ao Comando de Policiamento de Interior-4 (CPI-4) em uma cartinha para Papai Noel, no Natal do ano passado.