Um dos mais impressionantes movimentos de cunho humanitário e filantrópico registrados em nossa cidade em 1926 acredito ter sido o que culminou com a fundação do antigo Asilo Colônia Aimoré, hoje sob a denominação de Instituto “Lauro de Souza Lima”, referência mundial nas pesquisas e no tratamento aos pacientes portadores da hanseníase e, ao mesmo tempo, um local do passado onde era confinados dentro de uma pequena grande cidade que se formou no município de Bauru, onde os pacientes pudessem, com algum conforto, pelo menos esquecer de suas desgraças, pois viviam isolados e discriminados da sociedade, que considerava os portadores da antiga (lepra), como sendo um perigo para toda sociedade, enquanto a medicina procurava descobrir meios para curá-los.
Em uma conversa recente com um ex-interno, hoje com 86 anos de idade e que chegou ao asilo em 1934, um ano depois da sua inauguração, era um doloroso espetáculo o que se via diariamente nas ruas da cidade. Doentes vindos de todas as partes do Estado recolhiam-se numa pequena vila que se situava nas proximidades do antigo matadouro municipal e do Horto Florestal, esmolando em nossas ruas para o seu sustento e sobrevivência dos seus familiares.
Certo dia o Diário da Noroeste, jornal que se editava em Bauru, estampou em sua primeira página um vibrante artigo de autoria do jornalista José Maria Jorge de Castro, focalizando o assunto e conclamando o governo e o povo, a unirem-se para a solução de um angustioso problema, que tanta preocupação vinha causando, não só as autoridades como a própria população que naquela época não tinha conhecimento sobre a doença, que desde os tempos bíblicos era considerada o maior terror da nossa humanidade.
Foi aí então que o dr. Rodrigo Romeiro, juiz de Direito em Bauru de 1911 a 1930, que foi um dos fundadores da Santa Casa e grande patrono dos hansenianos na época, a quem Bauru deve relevantes serviços, especialmente na área filantrópica, tomou para si a sua solução.
Com a colaboração da imprensa bau-ruense, em especial o “Diário de Bauru”, que levantou o angustioso problema dos leprosos que se espalhavam pela cidade. Uma reunião história foi convocada um congresso municipalista o primeiro no Brasil, que trouxe representantes de vários municípios da região e todos concordaram em colaborar financeiramente doando 10% da quota de seus municípios para a construção do Asilo-Colônia Aimorés para edificação hoje do atual Instituto “Lauro de Souza Lima”.
Neste encontro resultou a construção do Leprosário de Aimorés, sendo que a primeira ata dessa magna reunião veio a se tornar o maior documento histórico, humanitário de solidariedade da história do antigo Asilo Colônia Aimoré, inaugurado em 13 de abril de 1933. Em outro momento vou relatar na integra a cópia, da Ata original datada aos (Vinte e Cinco Dias do mês de Setembro de 1927). Hoje 75 anos depois da sua inauguração o Instituto “Lauro se Souza Lima”, é sem sombra de dúvida um orgulho principalmente para quem conhece a sua verdadeira história.
Jaime Prado - RG 9.656.152 - funcionário há 32 anos do Instituto “Lauro de Souza Lima” e membro do Movimentos de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), integrante do Projeto Global de Preservação da História dos Hospitais Colônias do Brasil, junto com 26 países, e as 31 colônias de diversos estados brasileiros