São Paulo - O corpo da antropóloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso, 77 anos, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seria velado até as 21h de ontem na Sala São Paulo, região central da Capital paulista. Após esse horário, o local ficaria reservado apenas para familiares e amigos. O enterro está previsto para hoje pela manhã no cemitério da Consolação, também no centro de São Paulo. A partir das 10h, sairá o cortejo da Sala São Paulo que levará o corpo até o cemitério.
Na Sala São Paulo, o caixão está aberto e sobre o corpo de Ruth Cardoso tem uma bandeira do Brasil e uma bandeira dobrada de Araraquara, cidade do Interior de São Paulo onde nasceu a ex-primeira-dama. O prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), presidente estadual da legenda, decretou ontem luto oficial de três dias pela morte da ex-primeira-dama. Ao lado do corpo estão dois lanceiros do regimento Nove de Julho da Polícia Militar.
Ruth Cardoso morreu às 20h40 de anteontem, em sua residência, no bairro de Higienópolis. Segundo nota médica divulgada na noite de anteontem, a ex-primeira-dama foi vítima de arritmia grave decorrente de doença coronariana. Ela estava conversando com o filho Paulo Henrique, quando passou mal. FHC não estava em casa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Marisa Letícia, também estiveram no velório de Ruth Cardoso. Eles chegaram às 17h20 acompanhados pelos ministros Fernando Haddad (Educação), Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação Social), Hélio Costa (Comunicações), Mucio Monteiro (Relações Institucionais), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Edson Lobão (Minas e Energia), além da senadora e ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente), e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
A passagem de Lula durou cerca de 40 minutos. Ele foi embora sem falar com a imprensa. O presidente cancelou sua agenda de ontem à tarde para comparecer ao velório.
Com a morte de Ruth Cardoso, o comando nacional do PSDB cancelou as comemorações que faria ontem em Brasília pelos 20 anos de fundação do partido.
Políticos e amigos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passaram pelo velório. Entre eles o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), o ministro Orlando Silva (Esporte), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o deputado Paulo Maluf (PP-SP), a petista Marta Suplicy, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), além de secretários municipais e líderes partidários. “Ruth foi uma mulher espetacular. É um exemplo para as mulheres que estão na vida pública”, disse Maluf.
“Estou muito sentida. Tinha muito respeito pela Ruth. Ela era uma intelectual brilhante, era muito respeitada em sua área. Como feminista, participamos por muitos anos de um grupo. Ela tinha consciência e ajudou seu marido como primeira dama, como não gostava de ser chamada”, destacou Marta.
Aécio falou da relação de Ruth com FHC. “Conversavam sem precisar de palavras.”
“A morte dela foi um impacto, uma surpresa para todos. A imagem que vai ficar é a de uma primeira dama que não sumiu na sombra do presidente da República. Ela tinha identidade, opinião, sentido e rumo para as coisas que dizia”, afirmou o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE).
“O partido todo sempre teve nela uma referência. Ela honrava o partido e era uma pessoa exemplar. Foi um exemplo de dignidade. Essa foi uma marca muito forte dela”, afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
“O papel que ela teve foi de modernizar a política de assistência social no Brasil, revendo o papel um pouco do governo e fazendo com que o governo não fosse apenas um intermediário entre os necessitados e também a disposição da iniciativa privada e setores internacionais. Foi exemplar como primeira dama embora não gostasse muito dessa função”, destacou o deputado federal Fernando Gabeira (PV).
“Perdemos uma grande primeira dama. Uma estudiosa que levou à frente um programa de grande alcance, que foi o Comunidade Solidária. Por isso mesmo, poderia ter maior visibilidade graças ao seu preparo e sua inteligência, mas ela preferiu ficar muito na retaguarda ajudando o presidente em termos de aconselhamento. Se constitui em uma perda para todos nós”, disse o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).