• Na última hora...
Duas revelações de ontem à noite vão causar mudanças no tabuleiro político local na antevéspera do prazo fatal para a definição das coligações. De um lado, o vereador Toninho Garmes (PTB) admite em público, pela primeira vez, que sua candidatura a prefeito não tem como resistir à intenção da chapa petebista de candidatos a vereador por uma aliança só na proporcional. O PTB está bem próximo de fechar com a aliança “Bauru de todos”, que tem Rodrigo Agostinho na cabeça.
• Primo fora da arena
A segunda alteração no palco da disputa local vem do PV, com a surpreendente decisão do vereador em primeiro mandato Primo Mangialardo de não buscar a reeleição. Em entrevista, ele elenca razões políticas, pessoais e empresariais. Mas, a rigor, a insistência dos verdes por uma candidatura própria, sem alianças, aguçou ainda mais a avaliação do parlamentar de que o PV sozinho terá maiores dificuldades em manter ao menos um vereador na Câmara.
• Efeito em cascata?
O PV inicia a sexta-feira, véspera de sua convenção, com a necessidade de discutir se a decisão de Primo vai produzir ou não efeitos sobre os outros concorrentes da chapa proporcional. A questão central para os partidos que ainda não se definiram por alianças mais robustas, como PDT, PTB e PV, é uma só: corre-se o risco de sair com chapa praticamente pura e não atingir o coeficiente eleitoral ou ainda corre-se o risco de fazer aliança proporcional e eleger apenas o “homem forte” do partido que está ao lado?
• O efeito das sobras
Entre os enormes obstáculos a serem enfrentados pelos dirigentes partidários na hora de conduzir uma discussão interna em torno de uma aliança ou não está a invariável dificuldade que muitos candidatos à vereança têm de fazer uma avaliação real de suas chances nas urnas. E, nesse tom, fica tanto mais difícil conversar no sentido de que o risco de disputar sem atingir o coeficiente eleitoral (perto de 12 mil votos) pode ser muito maior para o partido do que a chance de conquistar uma cadeira em uma segunda vaga, ainda que pelo sistema de sobras, em uma aliança.
• Disputa de samurais
A queda-de-braço é evidente e, embora esteja se dando de forma muito cordial e cavalheira, como é tradição oriental, está escancarada dentro da colônia japonesa. O atual vereador Futaro Sato e o também integrante da ala nipônica em Bauru Júlio Kosaka disputam a preferência do segmento para a indicação a uma vaga na eleição à Câmara. No ano do centenário da imigração, a questão dentro da colônia é avaliar quem reúne melhores condições para representar a comunidade no Legislativo: se a experiência de Sato ou a renovação política representada por Kosaka, também do PMDB, assim como Sato.
• Multa para Kassab
A Justiça Eleitoral continua avassaladora e multou nesta semana o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a editora Abril em R$ 21,2 mil, cada um, por entender que houve propaganda antecipada em entrevista concedida à revista Veja São Paulo. Na ocasião, Kassab teria divulgado sua proposta de campanha e criticado outro provável candidato pela má gestão realizada anteriormente. Decisão polêmica.
• Decisão controversa
Segundo o juiz Marco Antonio Vargas, os pré-candidatos poderão participar de entrevistas, debates e encontros antes de 5 de julho, desde que não exponham propostas de campanha. Na sentença, ele apontou que “não está estabelecendo a censura, mas exercendo o livre convencimento, dentro dos mais garantidores preceitos do devido processo legal e da ampla defesa”. Há muito de controverso nesta linha de raciocínio do juiz de primeira instância da Capital Paulista. Até mesmo no Judiciário há discordâncias, em que pese a boa intenção do magistrado em prol da moralidade na eleição.