Antonio Carlos Garmes deve anunciar hoje que abre mão da candidatura a prefeito. Ele percorreu as ruas durante as últimas semanas para avaliar a aceitação de seu nome, articulou em favor de sua vontade de viabilizar a própria candidatura a prefeito, abriu diálogo com boa parte das legendas municipais, mas chegou à conclusão, ontem, e pela primeira vez publicamente, que não pode ser obstáculo à pretensão de mais de duas dezenas de candidatos petebistas a uma vaga na Câmara Municipal de Bauru.
Em entrevista definida em única frase, Antonio Carlos Garmes resume a posição atual de dificuldade em viabilizar suas pretensões na disputa local. “O partido PTB e os seus candidatos a vereador estão acima da minha candidatura própria. Não vou ser obstáculo a uma aliança”, disse Garmes ontem à noite, pedindo, em seguida, licença para desligar o telefone.
A postura política do parlamentar vai gerar alguns desdobramentos. Um deles, às vésperas do final de semana que define as últimas convenções partidárias para escolha de candidaturas, vai ao encontro da aliança “Bauru de todos”, que tem Rodrigo Agostinho (PMDB) como candidato a prefeito na chapa que já fechou acordo com legendas como o PT, PSB, PC do B e PR.
Diante da manifestação de Garmes em declinar à disputa em favor de uma aliança que permitiria ao PTB ampliar sua chances de manter representação na Câmara, a coligação petebista com o grupo batizado de “Bauru de todos” só não sai se um fato novo surgir ao longo desta sexta-feira.
Indagado a respeito das chances da ida PTB para a aliança, ontem à noite, Rodrigo Agostinho repetiu em frase bastante polida: “Muita chance, mas nunca acima do respeito pela trajetória política, pelo perfil sério e pela conduta de respeito a todo momento ao direito do Garmes em ser candidato”.
No campo concreto, ainda hoje os presidentes dos partidos que compõem a aliança “Bauru de todos” vão se reunir com a missão de reagrupar as legendas de forma a compor os interesses de cada uma das chapas na disputa proporcional. Não foi fácil aos integrantes do grupo que tem Rodrigo candidato costurar uma composição agradável ao PC do B-PSB, PT-PMDB-PR. A possível vinda do PTB gera a necessidade de recontagens e de avaliações de performance dos candidatos à vereança para um arranjo novo.
Um caminho inicial seria o de montar na aliança proporcional três grupos de dois partidos cada, com PC do B-PSB e o PTB entrando junto com um dos três que estavam na segunda parte do bloco. Na reunião de hoje, a definição pela aliança com os petebistas vai depender, de fato, da avaliação específica em torno do agrupamento com PT, ou PMDB ou PR.
Ao ser chamado a comentar a viabilidade da aliança, ontem, o presidente municipal do PTB, Ricardo Oliveira, disse: “estamos conversando”. O que avançou entre os petebistas é uma avaliação mais racional em relação a outras possibilidades. A resistência ao PDT da família Izzo foi ampliada e uma composição com o grupo que tem o tucano Caio Coube na outra cabeça de chapa também não anima vários petebistas.