O vereador Primo Mangialardo (PV) anunciou ontem à noite, em entrevista ao JC, que não será candidato à reeleição nas eleições de outubro próximo. Segundo o parlamentar, a decisão foi tomada com base em fatores políticos, pessoais e de cunho profissional. Ele contou ainda que, até ontem, nem mesmo familiares, membros do partido e assessores tinham conhecimento de sua escolha. “Escolhi contar ao JC minha decisão antes de comunicar a todos pelo equilíbrio editorial que este jornal tem diante da cidade”, ponderou.
Mangialardo, que exerce seu primeiro mandato como vereador, disse que amadureceu a idéia em razão sobretudo do desgaste enfrentado pela natureza da vida política. “É difícil você assumir uma causa e ir aos lugares e ouvir pessoas falando que muitas das coisas que faço é somente para conquistar votos, mesmo que sejam coisas que eu já fazia antes mesmo de ser vereador”, afirmou.
Depois de experimentar o plenário do Legislativo por mais de três anos e os bastidores da discussão política local, o parlamentar concluiu que, por sua característica, pode continuar contribuindo sem necessariamente ter mandato público. “Tenho consciência de que posso auxiliar a comunidade mesmo sem ser estar na Câmara, a exemplo do trabalho em prol do Conseg, Esquadrão da Vida e outras entidades”.
Outra questão teve influência na decisão anunciada por Primo, a dificuldade em conciliar a ação política com a atividade empresarial. “Assumir a vaga de vereador exige muita renúncia, familiar, pessoal e empresarial. Cumpri meu papel, mas não vejo como manter essas missões ao mesmo tempo daqui para frente”, disse. O parlamentar garante que não há relação entre sua decisão de não concorrer ao segundo mandato e as dificuldades enfrentadas dentro do PV em busca de uma aliança para a eleição local.
Defensor de aliança
Primo Mangialardo nunca defendeu a candidatura própria do PV, diferentemente da direção da legenda e do pré-candidato Clodoaldo Gazzetta, mas diz que respeita a posição. De qualquer forma, ele reafirma que, em sua avaliação, o melhor caminho seria a coligação. “A coligação do PV com outros partidos na eleição proporcional aumentaria as chances de eleger vereadores. Isso é evidente. Mas a legenda tem o direito de fazer sua escolha”, mencionou.
Cogitado em determinado momento a ser indicado na disputa a prefeito, o vereador relatou que a idéia nunca passou pela sua cabeça. Por outro lado, ele contou que aceitaria ser vice numa composição com outra agremiação. Neste caso, Primo disse que sua preferência política era de que a aliança fosse com o tucano Caio Coube. Apesar de anunciar que desiste de disputar a reeleição, Primo garante que continuará filiado ao PV e colaborando com a legenda.
Sobre a experiência na vida política, o parlamentar elogia a atual legislatura da Câmara Municipal, a qual classificou como limpa e transparente. “Admiro muito mais os políticos hoje do que antes de ser vereador”, enfatizou. “Penso que a população deveria respeitar mais os homens públicos e também cobrá-los mais”, completou.
Para ele, os 16 vereadores eleitos em outubro próximo precisarão se dedicar ainda mais à comunidade. E ele destaca a enorme lista de carências da cidade, de um lado, e o aumento no subsídio do vereador a partir de janeiro de 2009, de outro. “Espero que os eleitos trabalhem sempre com foco na população”, aconselhou.
Na sua opinião, a Câmara de Bauru é legítima representante da sociedade, mas ressente da falta de maior número de mulheres, membros da periferia e de categorias específicas como portadores de necessidades especiais.
Eleito pelo PSB, o parlamentar citou que mudou para o PV com poucos meses de mandato pelo fato da direção do Partido Socialista Brasileiro ter orientado na direção da defesa do prefeito Tuga Angerami. O PSB iniciou na base de apoio do governo e teve o secretário municipal de Cultura, José Augusto Vinagre (hoje no DEM), na administração.
“Fui radicalmente contra a terceirização da coleta de lixo defendida pela atual administração e aí já pude ter uma mostra de como seria a gestão”, disse.
Segundo o vereador, o atual prefeito deixou a desejar e abdicou de implementar medidas importantes para a cidade, como promover a reforma administrativa. Ele também critica a gestão municipal na área de Saúde. “No início da gestão, quando existe um período de lua-de-mel entre os políticos e a sociedade, as reformas necessárias poderiam ser aprovadas na Câmara tranqüilamente”, relatou Primo, que tem 44 anos, é casado e pai de três filhos.