Representante comercial, Fabiano de Melo substituiu o tradicional churrasco de final de semana por uma típica macarronada italiana. “O consumo de carne diminuiu em torno de 60% (na casa dele)”, ressalta. “O preço está muito alto e a saída é substituir por carne de frango, frutas e legumes, até porque dizem que vai subir ainda mais”, completa.
Melo está certo. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região, Maurício Lima Verde, que também é vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), haverá novos aumentos em até três meses. Em alguns estabelecimentos da cidade, a diferença de preços entre a carne de primeira e a de segunda é de apenas R$ 1,00 por quilo, quando o normal é oscilar entre R$ 3,00 e R$ 4,00. Em um dos supermercados consultados pelo Jornal da Cidade, o quilo de cortes como acém, paleta (segunda) e contrafilé (primeira) estão sendo vendidos a R$ 8,50.
A situação envolvendo a carne bovina assusta os consumidores e está longe de um final feliz. Com a arroba do boi cotada a R$ 90,00 - custava R$ 40,00 no ano passado - e a falta de boi gordo no pasto, uma das conseqüências é o consumidor pagar mais caro pela carne de segunda. Devido a seu preço atrativo no mercado externo, essas carnes são exportadas em larga escala. Conseqüentemente, seu preço no mercado interno aumenta.
Abates
Para Lima Verde, a situação é inédita e, em contrapartida, “terrível” a partir de três cenários: a própria exportação e a falta de boi gordo, além da degradação das áreas de pastagens. “Na medida em que há espaço para exportação, o abastecimento interno fica prejudicado. E, nos últimos anos, houve um abate muito grande de fêmeas (matrizes), tirando a origem do produto. Também há o avanço das áreas de cana-de-açúcar (que reduz as áreas de pecuária)”, resume.
A área destinada a pasto, por exemplo, diminuiu 20% no último ano em todo o Brasil. “O problema da carne é insolúvel, ao menos que o governo subsidie (para atrair mais pecuaristas), mas acredito que isso não irá acontecer”, avalia Lima Verde.
Ainda de acordo com ele, há riscos caso a demanda interna aumente. “Não há mais boi para consumo interno e externo e não dá para fabricar boi”, ressalta.
Preços
O aumento das exportações está encarecendo o preço da carne bovina no mercado brasileiro. Com a demanda externa, o valor de cortes como acém e paleta tiveram reajuste de mais de 30% nos últimos três meses.
As opiniões de pessoas ligadas ao setor se dividem. De acordo com o gerente de supermercado Jair Barbosa de Lima, os preços começaram a subir há cerca de 20 dias e a situação deve se acalmar no final de julho. O estabelecimento, que adquiria o quilo do acém a R$ 5,50, atualmente o compra por R$ 7,00 e comercializa a R$ 7,99. O quilo da paleta subiu de R$ 5,80 para R$ 7,20, sendo vendida atualmente por R$ 8,50 - mesmo preço do contrafilé.
“Após o mês que vem, a tendência é normalizar (o preço), acredita Lima. Antes da onda de aumentos, o quilo da costela custava R$ 2,50 e subiu para R$ 4,80, sendo vendido ao consumidor por R$ 5,99.
Para o gestor de compras Pedro Sérgio Batista, de outra rede supermercadista da cidade, a situação ocorre há 90 dias no mercado. “Há muita procura (por carne bovina) fora do Brasil”, justifica. No estabelecimento em que trabalha, o quilo de acém e da paleta sai por R$ 8,90.