Bairros

Empresa plantará árvores para compensar carbono

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Termos como emissão de carbono ainda podem soar como complexos, mas já há empresa em Bauru que sabe o quanto contribui para o aquecimento global e está se preparando para fazer a compensação ambiental através do plantio de árvores. Por meio do programa Carbono Zero, do Instituto Ambiental Vidágua, a Concreto Imóveis, imobiliária que conta com 60 empregados, descobriu que nas suas atividades administrativas emite 26 toneladas de carbono por ano. Para compensar a emissão destes poluentes, vai custear o plantio de 200 mudas de árvores nativas.

Atualmente, está em andamento o inventário de emissões de carbono no setor de propaganda e marketing da empresa, e posteriormente será feito o monitoramento do setor de vendas, explica Kláudio Cóffani, coordenador do Carbono Zero. “Estamos levantando as emissões da Tryor, que fabrica veículos ecologicamente corretos, da Ice Fresh (indústria de creme dental), da Polivídeo e da Adventure. Mas a Concreto Imóveis é a primeira empresa que está com inventário finalizado”, conta.

Com base em tabelas de cálculo divulgadas no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), o Vidágua consegue calcular o quanto cada pessoa, em seu cotidiano, ou uma empresa é responsável pela emissão de gases causadores de efeito estufa. Ou seja, quanto cada um de nós gasta andando de automóvel ou de ônibus, usando eletricidade, produzindo lixo, consumindo água e usando papel, por exemplo.

Em um cálculo-base, uma pessoa que anda com um veículo de motor 1.4 por 30 quilômetros por dia despeja na atmosfera 1,5 tonelada de gás carbônico (um dos grandes vilões do efeito estufa) no prazo de um ano. Para compensar o dano, é necessário que essa pessoa plante nove árvores por ano. Em Bauru, por enquanto, o Rotary Club Parque das Nações é a única entidade certificada como Carbono Zero.

Em setembro do ano passado, o Rotary plantou as primeiras das 35 mudas de árvores para ‘quitar’ sua dívida com o meio ambiente. O Vidágua calculou qual a emissão de gases causadores do efeito estufa pelos 20 sócios do Rotary durante as 50 reuniões realizadas durante o ano de 2007. Foram levados em conta desde combustível, água e eletricidade consumidos até o lixo produzido. Ao crescer, as árvores vão “seqüestrar” o gás carbônico da atmosfera, o que anula a emissão do gás pela entidade.

A Concreto Imóveis, além da compensação das emissões de carbono que fará em breve, já adotou medidas para minimizar o seu impacto no meio ambiente. Entre elas está a utilização de iluminação natural, aproveitamento da água da chuva, tratamento do próprio esgoto, reciclagem de lixo e adoção do canteiro em frente à sede. “Cada funcionário tem seu copo de vidro. Copo plástico é apenas para cliente e reciclamos depois, assim como o papel usado. Agora, a meta é que todos os impressos sejam feitos em papel reciclado”, enumera Márcio Soares de Oliveira, da direção da imobiliária.

O tratamento de todo o esgoto produzido pela empresa foi planejado já na construção do prédio. “É um sistema simples. Antes de cair na rede, o esgoto passa por duas caixas de inspeção onde ocorre a decantação com pedra e, depois, areia. Uma vez por mês colocamos uma pastilha que dilui o material sólido e gordura, resultando numa água clarificada. A cada seis meses, gastamos R$ 12,00 de pastilha. E o sistema de caixas de inspeção não aumentou em mais que R$ 1 mil a construção”, explica Oliveira. Na avaliação de Cóffani, esse conjunto de medidas reduziu entre 15% e 30% a quantidade de carbono que a imobiliária emite. Agora, com o plantio das 200 árvores, a Concreto Imóveis deverá gastar entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil.

O Carbono Zero está programando, para o final de julho, um evento para o setor imobiliário. “A intenção é disseminar estratégias de redução dos impactos das construções. O setor imobiliário é um dos que provocam mais impacto nas emissões de carbono. Além disso, entendemos que tem uma influência grande na sociedade, já que a construções duram décadas”, finaliza Cóffani.

• Serviço

Mais informações sobre o Carbono Zero no Vidágua pelo telefone 3281-2633 ou pelo site www.carbonozero.org.br

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Como funciona

O programa Carbono Zero foi lançado pelo Instituto Ambiental Vidágua há um ano. A entidade não cobra da empresa pelo trabalho de cálculo da emissão de carbono. Porém, a empresa tem de assumir o custo do plantio das mudas apontadas como medida compensatória ao final da consultoria e a manutenção das árvores por 20 anos. As árvores serão plantadas pela equipe do Vidágua em áreas de reflorestamento, que estão em análise.

Kláudio Cóffani, coordenador do Carbono Zero, conta que o cálculo é complexo pois como usa planilha do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), precisa converter muitas das unidades de medida utilizadas. “Na Europa, a maior parte da energia elétrica provém da queima de carvão. Já aqui no Brasil, é de hidrelétrica, que é uma energia limpa. Então, temos de fazer conversão”, comenta.

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