Rio - Com autorização da Justiça, os 150 operários contratados para o projeto Cimento Social no morro da Providência (centro do Rio) retomaram as obras ontem em regime de mutirão. Anteontem, a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio criou um fundo para custear, sem verbas do governo, a continuação das obras. Até a noite de anteontem, seis empresários já haviam doado ao menos R$ 75 mil para o fundo, segundo a prefeitura da cidade.
Embora ainda apreensivos, os moradores se mostraram mais animados com o retorno das obras. Na manhã de ontem, os funcionários fizeram limpeza das ruas, que estavam com lama, e retiraram o entulho das casas que são atendidas pelo projeto.
O tenente do Exército Vinicius Gidhetti de Moraes Andrade, o 1.º sargento Leandro Maia Bueno e os soldados Fabiano Eloi dos Santos e José Ricardo Rodrigues de Araújo serão denunciados hoje por triplo homicídio qualificado pelos procuradores da República junto ao juízo da 7.ª Vara Federal Criminal.
Os sete militares que os acompanharam ao Morro da Mineira, onde entregaram aos traficantes os três jovens moradores do Morro da Providência, serão acusados de co-autoria, por terem se omitido quando podiam evitar os assassinatos. Apesar da diferença, as penas a que estão sujeitos - de 12 a 30 anos por morte - são iguais para todos. Na denúncia, o sargento Maia será apontado como responsável pela negociação com os traficantes.