Curitiba - A Polícia Civil do Paraná prendeu ontem 14 suspeitos de integrar uma quadrilha internacional especializada em golpes contra empresários que tentavam captar financiamentos com juros baixos.
Houve prisões nas cidades paranaenses de Curitiba, Foz do Iguaçu, Matinhos e Apucarana, além de Brasília e Balneário Camboriú (SC).
A estimativa da polícia é que os golpes tenham rendido ao menos R$ 10 milhões ao grupo. O valor é baseado em conversas telefônicas captadas com autorização judicial que mostram suspeitos comemorando o alcance da cifra com golpes concretizados. As escutas apontam ainda que o grupo pode ter lesado empresários mexicanos em quase R$ 20 milhões.
Houve apreensão na casa dos suspeitos de 18 títulos do Banco Central da Venezuela - avaliados em R$ 25 milhões cada um -, quatro carros importados, dois títulos falsos de investimentos da Petrobras, talões de cheque, cartões de crédito e notebooks.
Quatro empresários dos setores de hotelaria e da agroindústria do Paraná, Mato Grosso e São Paulo já foram identificados como vítimas do grupo. Segundo o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, eles foram lesados em cerca de R$ 1 milhão.
As vítimas eram atraídas por anúncios em sites de instituições financeiras internacionais de fachada criadas pelos suspeitos. No contato, o cliente era convencido a depositar cerca de 10% do valor do financiamento a título de “sinal’’ ou “seguro” - dinheiro apropriado pelo grupo.
O cliente era orientado a depositar o dinheiro na conta de uma “offshore” (empresa localizada em paraíso fiscal). Segundo Delazari, os recursos eram trazidos de volta para o Brasil com a ajuda de doleiros.
Um comunicado de prisão temporária foi enviado a Interpol para tentar localizar mais três suspeitos de integrar a quadrilha - dois argentinos e um brasileiro. Segundo a polícia, dois deles estão na Argentina e um na Espanha, onde o grupo chegou a montar um escritório em Madri.