Cultura

25 anos na balada

Diego Molina
| Tempo de leitura: 5 min

O que você estava fazendo há 25 anos? Estava na escolinha? Dando o primeiro beijo? Procurava o primeiro emprego? Este jornalista provavelmente encantava seus pais com suas primeiras frases completas. E tem gente que já estava na noite, como o empresário bauruense João Cabreira. Ele celebra sua história de bares, festas e baladas na cidade com, claro, mais uma festa: “25 Anos de Alto e Bom Som”, hoje, a partir das 23h, no Santa Madalena.

O pub e casa de shows Santa Madalena, inaugurado no início deste ano, é o 15.º empreendimento do empresário e marca uma nova fase, tanto em sua trajetória quanto na vida noturna da cidade. É a primeira casa de Cabreira que tem seu filho, o DJ Gabriel Cabreira, como sócio.

O local também faz parte de uma renovação na noite bauruense, depois que a rua Antônio Alves, nos Altos da Cidade, foi “eleita” o novo point de Bauru. Atualmente, são sete estabelecimentos, pelo menos, entre bares, restaurantes e baladas, em pouco mais de cinco quadras, além de outras por toda a região, até o final da avenida Getúlio Vargas.

Na opinião de Cabreira, a situação, mesmo com a concorrência, é ótima para todo mundo. “Os dias em que todo mundo está aberto são os melhores, as pessoas saem de casa porque sabem que vão encontrar o que fazer. Com todo mundo trazendo gente boa, shows bons, a noite fica forte”, comenta. “E a nossa casa aparece mais quando há comparação”, completa o empresário.

Segundo Cabreira, o Santa Madalena continuará a abrir nas noites de sexta-feira, sempre com bandas ao vivo. Aos sábados, a casa terá festas eventuais em ocasiões especiais. Ele planeja ainda investir em outros shows. Para o dia 12 de julho, já está confirmada a apresentação do comediante stand-up Danilo Gentili, integrante do programa “CQC”.

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Túnel do tempo

Em 1983, João Cabreira, então com 19 anos, não tinha idéia de como era o funcionamento de um bar - do lado de lá do balcão, como o próprio diz. Depois de conhecer alguns estabelecimentos em Londrina (PR), o bancário se animou. Arrumou um ponto, reformou, pintou paredes, emprestou utensílios da cozinha de sua mãe e inaugurou o Zanzibar, no Higienópolis. “Fiquei mais seis meses no banco, abrindo o bar de terça a domingo. Nos finais de semana, tinha tanta gente que até fechava o trânsito”, lembra.

Em 86, já inteiramente dedicado aos “negócios da noite”, Cabreira decidiu inovar. Juntamente com Feres e Adnan Shahateet, o empresário abriu a danceteria Camarim, na praça Rodrigues de Abreu. “Foi a primeira casa com ar-condicionado central no Interior. E ainda tinha o mítico cachorro!”, brinca. O tal cachorro, que todos os freqüentadores pediam para levar embora, foi recuperado e hoje está em uma vitrine especial do Santa Madalena.

O Camarim perdurou até 1993, quando Cabreira jurou para si mesmo que nunca mais trabalharia na noite, depois de um empreendimento no Litoral, o Bar do Francês. A promessa durou seis meses, com a inauguração da Cachaçaria do Jão, na avenida Duque de Caxias (onde hoje funciona o Jack Music Pub). “Foi uma volta dos bares, porque Bauru passava por uma onda de boates”, lembra.

A inovação foi palavra de ordem mais uma vez, no ano seguinte, com o primeiro Tequila, na avenida Nações Unidas (a atual W). “Era uma casa diferente porque não tinha jogo de luz, aquela coisa de discoteca que vinha ainda dos anos 70. Tinha até a cama no meio da pista! E tocava tudo o que era dançante, sem preconceito. Foi uma mudança na noite de Bauru”, afirma Cabreira, sem modéstia. “Meu ponto de vista sempre é o da contramão, de fazer o que ninguém faz. Ser apenas mais um não vale a pena”, frisa.

Em 97, Cabreira inaugurou o Maria Bonita, uma casa maior, com dois ambientes, no espaço ampliado onde funcionava a Cachaçaria do Jão. Houve, em seguida, uma reedição do Tequila e, em 99, a abertura do Carmen.

Em 2001, Bauru ganhou uma nova vila - e a idéia da casa era justamente essa. O Villa Madalena, na rua Antônio Alves, tinha cinco ambientes, incluindo uma praça com bancos ao ar livre, para receber públicos de todos os tipos e idades. A casa marcou o início da sociedade de Cabreira com Eduardo Mauad. A dupla abriu, dois anos depois, o Bangalô (na rodovia Bauru-Jaú), e fez o retorno do Villa em 2004.

“Tem gente que me fala que freqüentava o Villa, mas nunca conheceu todos os ambientes! Chegava e já ia para o Clube do Whisky ou ficava na pista de dentro e nem ia para fora. Acho que foi a casa que mais marcou”, comenta Cabreira.

“A noite de Bauru funciona em ciclos e você precisa inovar. O Armazén (Bar), com mais de 25 anos, é exceção, a casa tem um público fiel e uma ideologia única”, diz ele. No currículo, ainda entraram o Havana Club e a Live Disco, ambos em 2005, e a Stage, no ano passado. O empresário avisa que a Live vai reabrir suas portas entre o final de julho e o início de agosto, reformulada, para renovar as baladas de sábado na cidade.

• Serviço

“25 Anos em Alto e Bom Som” com banda Rock Boxx no Santa Madalena hoje, a partir das 23h. Convites antecipados no Santa Madalena (rua Antônio Alves, 31-54, Jardim Aeroporto, até 18h) e na Dzarm (Bauru Shopping). Informações: (14) 3234-1931 e www.santamadalena.com.

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