Washington - Em troca da declaração de 60 páginas sobre o possível desmantelamento de seu programa nuclear, a Coréia do Norte será recompensada pelos Estados Unidos com a supressão de algumas sanções comerciais e, dentro de um mês e meio, já analisado o documento, com o fim da designação de “país que patrocina o terrorismo’’.
“Esse pode ser o bom momento para a Coréia do Norte”, disse o presidente americano, George W. Bush. Se ela “prosseguir com seu bom comportamento, superará os entraves de seu relacionamento com a comunidade internacional”.
Mas o próprio Bush deixou claro que não há plena reconciliação. “Os Estados Unidos não têm ilusões quanto ao regime de Pyongyang. Continuamos profundamente preocupados com o desrespeito aos direitos humanos, enriquecimento de urânio, mísseis balísticos e as ameaças do país à Coréia do Sul e a seus vizinhos regionais.”
Entre eles, o Japão discretamente lamentou que Bush tenha recompensado a ditadura norte-coreana sem que ela finalmente explicasse o paradeiro dos japoneses seqüestrados nos anos 70 e 80.
O regime comunista de Pyongyang, enquadrado há seis anos por Bush no “eixo do mal’’ (ao lado do Irã e do Iraque), explodiu uma bomba atômica em outubro de 2006. Sua desnuclearização, em troca de alimentos, combustível e fertilizantes, passou a ser negociada no início de 2007 pelos Estados Unidos, Coréia do Sul, China, Japão e Rússia.
A declaração norte-coreana, entregue ontem em Pequim pelo embaixador Choe Jin Su ao diplomata chinês Wu Dawei, representante de seu país no grupo de negociadores, não é ainda a definitiva.
Dentro de uma política chamada de “passo a passo’’, o ditador norte-coreano, Kim Jong-il, provavelmente revelará mais tarde qual o seu estoque de plutônio, se ainda tem bombas atômicas estocadas ou se comercializou componentes de reatores com terceiros, como a Líbia ou a Síria.
Ainda quanto ao “passo a passo’’, Washington deixa de aplicar aos norte-coreanos uma legislação que veta o comércio com países inimigos. A partir de agora, entre os 192 Estados filiados à ONU, a legislação será aplicada pelos americanos somente a Cuba.