Horas de conversações realizadas ao longo de toda a sexta-feira não foram suficientes para que o PTB consolidasse uma aliança com o grupo que tem Rodrigo Agostinho (PMDB) como candidato a prefeito, ontem. Os petebistas começaram a manhã próximos dos peemedebistas, mas entram no último final de semana disponível para a confirmação de alianças e candidaturas sem definir com quem vão “casar”. O pior é que a “noiva” vestida pelos petebistas continua sendo assediada pelo PDT e nem mesmo o PV é descartado como parceiro para subir ao altar eleitoral em 2008 em Bauru.
Para resumir a conversa entre a direção petebista e os partidos que já integram a frente “Bauru de todos”, a frase utilizada foi : “pedimos mais um dia para definir”, informou ontem à noite o candidato a prefeito Rodrigo Agostinho. O acerto final continua dependendo do mesmo fantasma que ronda várias outras legendas: a conta para eleger cadeiras na Câmara.
Até ontem, PMDB, PT e PR tinham topado montar uma chapa conjunta de 32 candidatos à eleição proporcional. Mas o diálogo com o PTB exige mexer nesta composição. E é aí que reside o obstáculo. O PR não fala, mas tem medo de se juntar ao PTB e não conseguir eleger dois vereadores, já que retira da conta o candidato Pastor Luiz, da Igreja Universal. O PMDB, por sua vez, tem não mais que três concorrentes com potencial de voto próximo de dois mil votos, mas tem medo de também ficar de fora se os petebistas não ajudarem a suplantar o fantasma do coeficiente eleitoral (número de votos necessários para preencher uma vaga à Câmara).
A favor da conversa está o trunfo das sobras. Com a calculadora contabilizando 12 mil votos como patamar para a discussão do coeficiente, os peemedebistas decidiram adentrar à noite fazendo contas para ver quanto a eventual chapa PMDB-PTB teria de fazer para conquistar duas cadeiras, uma pelo coeficiente e outra na sobra. É claro que a sopa de letrinhas ainda pode trazer à mesa outros arranjos, seja com o PT ou PR.
Mas uma coisa é conseqüência nesse quadro. Se a aliança “Bauru de todos” continuar olhando somente para o umbigo de seus concorrentes, Rodrigo Agostinho (PMDB) e Estela Almagro (PT) vão perder duas vezes. Deixam de ter o reforço petebista e, de quebra, jogaria este grupo no colo de um de seus concorrentes, seja o PDT ou o PV.
O PV já percebeu a chance de agregar força à disputa municipal, tanto que avisou o PTB, sem pestanejar, que aceita coligar na proporcional sem dificuldade. Os Verdes realizam convenção hoje pela manhã e decidiram deixar ainda uma janela aberta ao PTB. O PDT continua com esperança de que o partido comandado por Ricardo Oliveira encerre o affair com Rodrigo e prefira se juntar a Rosa Izzo.
Enquanto as teias se cruzam neste diálogo, o ainda prefeitável Toninho Garmes espera o resultado para saber, afinal, como tudo vai ficar. Anteontem ele revelou ao JC, pela primeira vez, que não ser obstáculo a uma coligação. Nesta ou naquela direção, a definição não passa de segunda-feira, quando se encerra o prazo para a definição das candidaturas.