Economia & Negócios

Almoçar fora de casa custa um salário mínimo por mês

Por Gabriel Ottoboni | Com redação
| Tempo de leitura: 3 min

Durante os sete dias da semana, o empresário Miguel Curi Bauab opta pela praticidade e almoça fora de casa. Como mora sozinho, acredita que é inviável cozinhar a própria refeição em função do tempo restrito, ou até mesmo contratar uma cozinheira, o que na sua opinião sairia mais caro. “O único problema é a janta, pois tenho que fazer (a comida) no microondas”, relata. O custo de Bauab com a regalia varia entre R$ 500,00 e R$ 600,00 por mês. “Se morasse com mais pessoas, até valeria a pena comer em casa”, acredita.

De acordo com o professor Marcos Crivelaro, da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), quem opta por almoçar fora de casa gasta R$ 411,70 por mês (excluindo os finais de semana). O valor tem como base uma pesquisa realizada por ele na região central da cidade de São Paulo.

Foram analisados 50 restaurantes que vendem refeição por quilo ou por prato. Pratos fixos servidos conforme o dia da semana (como uma feijoada de quarta-feira, por exemplo) e os tradicionais com arroz, feijão, bife, ovo, fritas e salada não saem por menos de R$ 12,00. Nos estabelecimentos visitados, o valor da refeição por quilo custa, em média, R$ 20,00. Considerando-se uma refeição de 600 gramas, o prato sai por R$ 12,00. Acrescentando bebida (R$ 2,50), sobremesa (R$ 2,50) e gorjeta na casa dos 10%, a conta chega a R$ 18,70 que, multiplicado por 22 dias, chega a R$ 411,40.

Embora o custo médio das refeições feitas em restaurantes ultrapasse a renda mensal de muitas famílias, trata-se de uma realidade cada vez mais comum para quem se alimenta fora de casa.

Com a alta mundial nos preços dos alimentos, está cada vez mais caro se alimentar. Em maio, o Jornal da Cidade divulgou reportagem mostrando alta de 20% nas refeições realizadas fora do lar. No mesmo ritmo, estudo divulgado também em maio pela Latin Panel, que monitora o hábito de moradores de 8 mil municípios, indicava que as despesas com alimentação dentro do lar caíram de 19% para 17,8% na comparação entre 2006 e 2007. No mesmo período, o gasto médio domiciliar com alimentação fora da residência crescera 8%.

Inflação

O professor Crivelaro explica que seu levantamento foi realizado para estudar o impacto dos alimentos na inflação. “As refeições na rua aumentaram muito”, justifica. O trabalho também será utilizado como projeto de pesquisa por seus alunos. “Os números apontados na pesquisa podem ser aplicados no Interior do Estado, em maior ou menor grau”, admite. Ele avalia que a situação deve permanecer assim até o final do ano por razões envolvendo os períodos de safra e entressafra dos alimentos.

Uma das estratégias para driblar a situação, de acordo com o professor, é a possibilidade de almoço comunitário. “Em algumas padarias, vende-se frango assado com farofa e batatas que podem ser repartidos por colegas de escritório”, sugere. “Também não podemos esquecer da marmita, que com criatividade torna-se uma opção nutritiva e mais barata”, ressalta. A principal dificuldade desse tipo de refeição, diz o professor, é a falta de local adequado no trabalho para armazenamento e aquecimento.

Segundo dados da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), o brasileiro gastou em média R$ 14,87 por dia para almoçar fora de casa nos últimos três meses de 2007. A mesma pesquisa, realizada um ano antes, apontou custo de R$ 13,32.

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Restaurantes

Em Bauru, a alta no valor dos alimentos continua. Em maio, a reportagem já havia constatado a indignação de gerentes e proprietários de restaurantes em relação ao preço da comida.

Proprietária de um estabelecimento na cidade, Simone Cristina Marangon aumentou o quilo da refeição de R$ 15,90 para R$ 16,90 há dois meses. A clientela, formada por estudantes e empresários, não diminuiu, embora o movimento caia no final de cada mês. Ela não descarta a possibilidade de novos aumentos. “Depende de como vão ficar as coisas...”, diz.

No restaurante de Valdirene Espósito de Oliveira, o quilo da refeição sai por R$ 14,90, porém, os valores serão reajustados em breve. “Não sei para qual valor, mas com certeza a tabela subirá”, afirma.

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