Esportes

Guerrinha diz que unidade pode levar Seleção aos Jogos

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

Com a autoridade de ex-armador da Seleção Brasileira, ídolo do basquete brasileiro, ex-auxiliar-técnico de Lula, treinador do Brasil durante o Pré-Olímpico das Américas que deixou o cargo após o País não conseguir uma das vagas em jogo para Pequim e ainda sofrer com um “racha” no grupo, o técnico do GRSA/Bauru, Guerrinha, falou ao Jornal da Cidade sobre as perspectivas do basquete masculino brasileiro no Pré-Olímpico Mundial, que será realizado na Grécia. Ele também comentou a polêmica envolvendo Leandrinho e o estilo do espanhol Moncho Monsalve, atual técnico da Seleção.

O técnico participou, anteontem à noite, de mesa-redonda sobre basquete, que fez parte da Semana Olímpica, promovida pelo Sesc. Guerrinha, que coleciona títulos na Seleção e nos clubes por onde passou, acredita que, mesmo com um grupo enfraquecido, o Brasil pode fazer da unidade do grupo o passaporte para os Jogos Olímpicos, onde não marca presença desde Atlanta-1996. Leia a seguir, trechos da entrevista.

Jornal da Cidade – O basquete masculino vive uma sucessão de polêmicas envolvendo pedidos de dispensa dos jogadores que atuam na NBA – Anderson Varejão, Nenê e Leandrinho – e de atletas experientes, como Valtinho e Guilherme Giovannoni. A última polêmica ocorreu durante a semana, com a divulgação de fotos de Leandrinho jogando futebol, ao lado de Steve Nash, nos EUA, em partida que teria caráter beneficente. As críticas foram de que o ala/armador pediu dispensa da Seleção, alegando tendinite e afirmando que o tratamento era repouso absoluto. O que pensa sobre o caso?

Guerrinha – O Leandrinho sempre fez as coisas com muita paixão. Jamais não quis jogar na Seleção, tem um amor muito grande pelo Brasil, pelo basquete, tudo o que transformou a vida dele. Com certeza, deve ter sido um compromisso. Estive em Phoenix durante quatro meses e sei do carinho dele com o Steve Nash, o tanto que o Nash o ajudava. Então, um pedido destes é irrecusável e você pode ir lá e fazer alguns gestos, não treinar, não fazer nada. Acredito muito no Leandrinho e sei que ele não fez isso com intensidade. Pelo que vi, teve acompanhamento dos médicos do Phoenix (Suns) e está isso sendo usado de uma forma errada, uma repercussão negativa.

JC – E esta Seleção Brasileira sem os jogadores que atuam na NBA? Em sua opinião, quais as chances do Brasil no Pré-Olímpico Mundial, que será realizado na Grécia?

Guerrinha – Você perde uma coisa, que é o talento. Mas o mais importante é a unidade, a unidade do grupo. O Brasil toda vez que esteve reunido com todos teve dificuldade de relacionamento interno entre os jogadores. No Pan-Americano no Brasil, Pan-Americano na República Dominicana, Copa América, a Seleção saiu vencedora, com jogo coeso, coletivo, com menos jogadores. No momento em que tivemos o Mundial e os Pré-Olímpicos com todos, teve dificuldade de composição por falta de treinamento, excesso de jogadores tentando se ajustar. De repente, faltando alguns jogadores, a equipe pode se sair bem, com menos potencial, mas com mais unidade. E é muito mais fácil para o técnico dirigir uma equipe com menos jogadores e com (bom) ambiente do que com todos da NBA.

JC – Qual o seu conceito sobre o técnico do Brasil, o espanhol Moncho Monsalve, e sobre atitude dele em falar que Leandrinho, Nenê e Anderson Varejão não jogam mais na Seleção Brasileira sob seu comando?

Guerrinha – De fora, é difícil falar. Acho precipitada a atitude dele. Estive, por exemplo, com o Anderson (Varejão) na Copa América, na República Dominicana, e ele deu uma demonstração quando ele deslocou o ombro. Ele ficou chorando junto e querendo ficar com o grupo. A gente vendo estes jogadores, o Leandrinho e todos eles que a gente já conviveu desde a iniciação, eles têm um sentimento de jogar pelo Brasil. Mas o modelo NBA, a equipe, o agente, às vezes, dificultam. E eles têm que responder para algo maior, que é a NBA, que os custeia e dá o grande salário para eles, essa parte financeira. Mas o desejo deles, com certeza, é de jogar pela Seleção. A hora que puderem têm que ser aproveitados de uma forma diferente. Não podem ser tratados simplesmente a sim ou não. O Moncho está querendo impor um estilo. Também sou muito duro, eu também, se fosse o técnico, não deixaria algumas coisas, mas poderia poupar um pouco mais, ser menos crítico, sentir que ele está em um País diferente, que os valores não são militares, podemos ser mais flexíveis em algumas coisas. Acho que o caminho é outro.

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