A história de nossa cidade possui intrínseca ligação com os trilhos da estrada de ferro. Os entroncamentos das linhas da Noroeste, Paulista e Sorocabana propiciaram a inconteste pujança e progresso, transformando-se em mola propulsora de ascensão do município, beneficiando, inclusive, toda a região. Como ensina o ilustre bauruense e exímio conhecedor de nossa história, professor Irineu Azevedo Bastos, foi graças à agucidade do coronel Azarias Ferreira Leite acolhendo em sua fazenda no então povoado de Bauru, os ‘engenheiros, agrimensores, cartógrafos e demais técnicos’, designados para escolher o local onde se iniciaria a construção da estrada de ferro e proporcionando-lhes uma aprazível estada, é que pudemos ser agraciados com tal empreendimento, em detrimento a cidade de Pederneiras, destino primeiro de visitação daquela equipe de profissionais.
Com a implantação da ferrovia, a cidade foi crescendo em seu entorno e dali se expandindo para todos os lados, fazendo então, naquela época, com que os trilhos fossem o que de mais importante havia no município.
Implantada e uma vez em funcionamento, além do progresso e da riqueza propiciada, também foi a responsável pelo surgimento das rodovias que circundam nossa cidade, tornando, sem sombra de dúvidas um grandioso entroncamento rodoferrovário, localizado no ‘coração de São Paulo’. Se pudéssemos mensurar as fases de desenvolvimento por que passou a cidade, talvez enumerássemos a implantação da ferrovia como nosso ‘primeiro progresso’. A cidade cresceu, se desenvolveu, a evolução dos tempos nos trouxe vantajosos e modernos meios de locomoção, ao passo que, infelizmente, encontra-se a ferrovia - nacionalmente - relegada ao desprezo e ignorância de nossos governantes. O presente mês de junho foi de alvissareiras notícias na implantação de novos empreendimentos para a cidade - avenida nações norte; marginal da Rondon; duplicação da Bauru-Ipaussu; transformação na utilização e capacidade do novo aeroporto; surgimento de shopping center na área da antiga fábrica da Antártica e outro na rodovia a ser duplicada; universidade na Avenida Moussa Tobias - e outros investimentos que certamente surgirão. Se bem analisarmos todas as obras anteriormente citadas poderão ter em comum os trilhos da estrada de ferro.
Na edição comemorativa aos 110 anos de Bauru do Jornal da Cidade, o arquiteto Jurandyr Bueno Filho - p. 23 -, ao fomentar a necessidade da ocupação de áreas ociosas do centro da cidade ressaltou: ‘Gostaria que todo o pátio ferroviário fosse ocupado. Os trilhos seriam retirados e, eventualmente, passaria a ser utilizado na região do novo aeroporto’, acrescentando ainda, ‘No Centro poderiam ter shopping, prédios, escolas, sistema viários e lagos’. Proféticas assertivas. Pois bem, aproveitando esse importante momento de grandes conquistas para a cidade, permito-me sugerir aos nossos dirigentes, líderes políticos e aqueles que pretendem sê-lo, que encampem a idéia de uma campanha (apradinhada pelo Jornal da Cidade) para a retirada dos trilhos da ferrovia do centro da cidade, levando-os para próximo do novo aeroporto, como bem ressaltado por Jurandyr. No lugar dos trilhos, ganharia a cidade uma via expressa pronta permitindo a interligação entre rodovias, bairros e avenidas importantes que auxiliariam sobremaneira o tráfego, ‘ocupando espaços ociosos’, possibilitando, quem sabe, ‘um segundo progresso’ a Bauru. Feita a sugestão, com a palavra quem de direito.
O autor, Henrique Crivelli Alvarez, é advogado e articulista de Opinião