Uma cultura de respeito à vida. Esta seria, na opinião de Luiz Carlos de Oliveira, professor do curso de capacitação para psicólogo perito examinador do trânsito da Universidade do Sagrado Coração (USC), a melhor forma de se reduzir a quantidade absurda de acidentes registrada no Brasil, todos os anos.
“Problemas como o das pessoas que dirigem embriagadas ou que desrespeitam as leis de trânsito só serão superados por meio de ações educativas, leis e fiscalização. Nós, brasileiros, precisamos aprender a nos relacionar em sociedade”, acredita ele.
“No dia em que os brasileiros passarem a ter uma cultura de valorização da vida, eles também respeitarão as leis de trânsito”, acrescenta. Oliveira lembra que, atualmente, boa parte dos motoristas só obedece às regras de tráfego por que é instada a fazê-lo. O professor cita como exemplo disso a atitude que muitos condutores “apressadinhos” assumem quando se aproximam de pontos onde imaginam que possa haver fiscalização.
“Isso pode ser facilmente notado na avenida Nações Unidas: quando se aproximam do local onde está a lombada eletrônica (na altura Parque Vitória Régia), todos diminuem a velocidade com medo de levar uma multa; tão logo se afastam dali, porém, voltam a afundar o pé no acelerador, desrespeitando, dessa forma, o limite de velocidade estabelecido para a via”, pondera.
Um dos pontos que, na opinião dele, colaboram para piorar a situação do trânsito em Bauru e no restante do País é o ritmo frenético de vida imposto aos indivíduos por uma sociedade cada vez mais refém do relógio. “Hoje as pessoas têm um rotina marcada pelo estresse e pela correria constantes. Muitas vezes, o sujeito, ainda que não esteja embriagado, vê-se obrigado a dirigir perigosamente para não perder um compromisso”, lembra Santos.
Caso existisse no Brasil uma cultura de respeito à vida, avalia ele, as pessoas pensariam duas vezes antes de se arriscar para não chegarem atrasadas ao trabalho, por exemplo. “É lógico, porém, que isso deveria partir da sociedade como um todo. O patrão do sujeito teria de estar consciente de que é melhor o funcionário entrar no trabalho um pouco mais tarde do que morrer em um acidente”, pensa Santos.