Bairros

Férias de julho: entre a diversão e a preocupação

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Se as crianças vislumbram no mês de julho muita diversão e descanso, os pais encaram o mesmo período com muita preocupação e dor de cabeça. É tempo de férias para os cerca de 53 mil alunos que freqüentam as 63 escolas estaduais e municipais de Bauru. Tranqüilidade para os filhos, mas não para todos os pais, que em sua grande maioria segue a rotina diária de trabalho.

De acordo com os números divulgados pelos clubes da cidade, uma pequena parte do total das crianças em férias nesse período participa de programas de férias desenvolvidos na cidade. O Serviço Social do Comércio (Sesc) promove para agitar as férias da garotada o projeto “Julho em movimento”, que deverá receber aproximadamente 2.500 visitantes durante o mês.

A unidade do Serviço Social da Indústria (Sesi) também preparou uma programação especial para as férias da garotada. O “Super Férias” vai agitar o mês de julho com brincadeiras, jogos e atividades. De acordo com a coordenação do Centro de Lazer da entidade, estão sendo esperadas cerca de 500 crianças na cinco semanas de atividade.

Já a Prefeitura de Bauru, através da Secretária Municipal de Esportes (Semel), preparou o “Programa de Férias da Semel” com diversas atividades direcionadas tanto para as crianças quanto para pessoas de todas as idades.

Para atender esse público amplo, a Semel programou o projeto “Oficina da bola”, com jogos de vôlei, handebol, basquete e futsal; “Caminhar é viver”, com caminhada orientada por profissionais estagiários da secretaria em diversas avenidas da cidade, e o “Esporte Fim de Tarde”, onde para participar das atividades basta estar no local.

Clubes como o Bauru Tênis Clube (BTC) e a Associação Luso Brasileira de Bauru não prepararam nenhuma programação especial para o período, mas para a garotada associada e matriculada nas escolinhas esportivas toda a estrutura dos clubes estará disponível.

Mesmo com atividades que serão desenvolvidas pelos clubes de serviço da cidade, clubes sociais e pela própria Semel, grande parte das crianças que saem de férias já no próximo mês terá que encontrar algo para fazer em casa ou mesmo nas ruas. Nos bairros mais afastados, onde residem famílias com menor poder aquisitivo, a garotada passa a maior parte de julho nas ruas, inventando suas brincadeiras.

Em bairros como o Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), Parque Jaraguá, Octávio Rasi e Bauru 22 é fácil encontrar garotos em idade escolar brincando nas ruas. Com a chegada do frio e o vento constante durante o dia, as crianças aproveitam para passar horas e horas empinando pipas.

Danilo Saldanha Merlin, 12 anos, morador do Núcleo Bauru 2000, freqüenta a escola no período da manhã e à tarde brinca com os amigos sempre próximo da residência empinando a pipa feito por ele próprio. “Em julho, a gente tem mais tempo para brincar, agora posso soltar pipa, mas também brinco de bola e participo de outras brincadeiras”, conta.

Diego Alessandro Barbosa, 11 anos, morador do Otávio Rasi, conta que vai levar os amigos para casa para brincar no videogame que ganhou no último Natal. “A gente brinca até enjoar e depois vai para a rua, no campinho do lado de casa, brincar de bola”, explica.

Mas em bairros como o Bauru 22, tanto o campo de futebol quanto o parquinho montado pela prefeitura se encontram abandonados. A situação se repete em vários pontos da cidade, para o futebol a garotada geralmente transforma terrenos baldios em verdadeiros campos de futebol.

Rosemeire Villanova e o marido Wagner Douglas Villanova trabalham e já começaram a pensar o que oferecer às filhas durante as férias. Thayná, 11 anos, e Thaissa, 8 anos, devem mesmo passar alguns dias na casa dos avós. Outra opção pode ser a participação no programa de férias Sesc.

“Às vezes não tem jeito, elas ficam mesmo sozinhas em casa assistindo TV e até mesmo dormindo”, conta Rosemeire. “O frio ajuda também com que elas fiquem mais em casa, dormindo ou mesmo realizando alguma atividade em casa”, completa a mãe.

Márcia Coutinho enfrenta o mesmo problema com os filhos. Guilherme Coutinho estuda em escola pública enquanto o irmão Eduardo Coutinho em escola particular. “Os dois saem de férias em períodos diferentes. O jeito é programar atividades extras, como cursos e visita aos avós”, conta a mãe.

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