Tribuna do Leitor

“Não sobre o amor” ou “E-mail.amor.com”


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Levamos os alunos do Curso Livre de Teatro para assistirem a “Não Sobre o Amor”, peça de câmara de Felipe Hirsch e Murilo Hauser sobre a obra de Victor Shklousky, Elsa Triolet, Wladimir Maiakovski e Lícia Brink. Cenário deslumbrante de Daniela Thomas. No elenco, a bauruense Arieta Corrêa e Leonardo Medeiros, com ótimas interpretações. Espetáculo hermético, difícil e que conta a história de exílios, paixões e a platéia vai conhecendo uma metáfora: Alya.

O amor no começo do século XX era diferente. A mulher para quem Victor Shklousky escreveu essas cartas, nunca existiu. Mas... pensamos rapidamente e chegamos à conclusão que a mulher que escreveu e nos inspirou em “e-mail.amor.com,” que montamos em janeiro no Teatro Municipal existe! O impasse está aí e afinal o que mudou? Filho dessa geração, eu achava que o desejo da mulher era conseqüência do nosso, que elas ansiavam por nosso, assédio. Nada disso!

Descobri isto faz pouco tempo. Que triste! Eu achava que levar uma mulher para cama era algo só de minha responsabilidade, hoje os pintinhos são analisados com régua e compasso. Desculpem a alegoria. Hoje, os homens é que dão, elas comem. Não é verdade? Elas mandam e-mails de como fazer e tratar o amor... que é isso? Não tem jeito de falar de amor fluido, líquido, calmo? Não! Hoje nós somos as caricaturas das caricaturas que fazíamos delas, o que estou escrevendo hoje é das vanguardas neo-sacanas que habitam Caras e que duram semanas. Claro que o amor dos desvalidos, continua igual: porrada, sexo, alcoolismo e abandono e... tome filhos para habitar o mundo. (Obrigado Nelson Rodrigues e Arnaldo Jabor).

Depois do “Não Sobre o Amor” creio mais que nunca, que a revolução se deu mais por parte das mulheres do que dos homens, elas evoluíram demais e nós não acompanhamos... agora estamos angustiados, tristes e perdemos o rumo.

Acredito sempre que as coisas vão e voltam daí vamos esperar o romantismo voltar, diante do terror que a liberdade total está gerando. Pergunto: Será que veremos, novamente, os beijos eternos? Ahahahah ninguém agüenta mais tanta liberdade...

Paulo Neves - professor e diretor de teatro

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