É bastante estimulante a conclusão da carta publicada nesta coluna em 29/6/2008, de Rubens Pereira de Mello e Souza: “Cabe a nós orientar os nossos filhos, para quem sabe mudar nosso país para construir um futuro um pouco mais digno do que o atual.”
Não há como discordar! Compartilho do o seu sonho, pois é o meu também! Pena que essa fantástica conclusão, no caso em particular, esteja apoiada em bases falsas.
A História ainda não acabou, e a trajetória da humanidade ainda continua rumo à utopia de que um dia ainda viveremos em uma sociedade onde todos cumpram os seus papéis sociais conscientemente, dando de si para o conjunto da sociedade conforme suas possibilidades e recebendo dela conforme suas necessidades.
Nesse sonho, onde todos cumprem os seus deveres, não haveria necessidade de Leis, polícia, fiscais, judiciário, promotoria, advogados, em suma nenhuma forma de coerção social, pois todos estariam agindo livremente, de acordo com as suas próprias consciências.
Tenho mais de 400 alunos; quantos dos seus pais conhecem os motivos da greve? Quantos escreveram uma carta à Secretária da Educação?
Se ao menos fosse hegemônica a noção que cabe a cada pai/mãe a orientação (e o controle) dos seus filhos, o cuidado e esmero com a sua educação, certamente não haveria a necessidade de realização de greve dos professores.
Esses pais saberiam que a formação aligeirada de seus filhos, centrada em português e matemática, desvinculada da realidade prática, social, política e histórica, não contribui para essa mudança de futuro que o missivista expressa em sua carta.
A questão salarial é importante, pois é forma fundamental de uma sociedade capitalista (vivemos nela!) expressar o valor que atribui aos profissionais da educação.
Contudo não é a única ou a mais importante, em um momento em que se percebem as comunidades onde as escolas estão inseridas apartadas destas, ausência significativa de pais ou responsáveis nas reuniões de pais e mestres, ambos afastados da produção de um projeto pedagógico em cada unidade escolar conforme as suas realidades e especificidades e que possa apontar a juventude rumo ao sonho acalantado pela carta retro-referenciada e em decorrência disso, alunos desinteressados e adultos inaptos e ineptos para ocupar seus lugares nos postos de trabalho e na sociedade.
Sou professor, e por isso mesmo crédulo em melhor futuro para o nosso país.
Meu trabalho tem importância social muito maior do que aquela expressa numericamente no meu holerite, e eu tenho plena consciência disso. Minhas ações baseiam-se na ciência e na ética.
Mas me parece, caro Rubens, que você faltou àquela aula de sociologia, onde o professor explicou que a sociedade e as suas instituições são formadas por homens (e mulheres), cada um com seus interesses pessoais. Por isso mesmo, a forma como a sociedade se organiza e elege seus representantes é o resultado das ações (ou omissões) destes mesmos homens. Orienta ao teu filho.
Os professores são teus parceiros nessa tua tarefa.
Alberto de Carvalho Pereira Sobrinho - professor da E.E. Ada Cariani Avalone e professor efetivo (concursado) de educação física - RG 13.545.727