Paris - Com propostas protecionistas e ante novo atrito com a Polônia, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, assumiu ontem a presidência rotativa da União Européia, por seis meses. Defendeu os subsídios à agricultura e afirmou que “a Europa deve proteger seus cidadãos contra os riscos da globalização”.
Ele também polemizou com o comissário europeu para o Comércio Exterior, o britânico Peter Mandelson, a quem acusou de levar a Europa a “perder 10% de seus empregos e 10% da produção agrícola” ao negociar na Organização Mundial do Comércio (OMC) o fim dos subsídios. E acrescentou: “Não deixarei que isso aconteça.”
Afirmou ainda que não aceitará “a redução da produção agrícola no altar do liberalismo mundial”, pois a agricultura é prioritária em um mundo com 800 milhões de pobres. As afirmações foram feitas anteontem à noite, numa entrevista à TV. Mandelson foi defendido ontem pela Comissão Européia, o órgão executivo do bloco de 27 países, que, em nota, qualificou essas críticas de “erradas e injustificadas”, já que a EU deve manter sua unidade “no momento delicado das atuais negociações”. No próximo dia 21, os ministros da OMC se reúnem para tentar desbloquear as negociações de Doha, emperradas há anos.
Na entrevista, Sarkozy também criticou Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, por dar sinais de que elevará a taxa básica de juros na zona do euro, ontem em 4% ao ano, para conter a inflação. Para o presidente francês, é preciso pensar no crescimento econômico. Disse que a atual inflação é “importada” e que os juros não podem aumentar com a alta do petróleo.
Ao assumir o cargo, Sarkozy pouco falou sobre o impasse quanto ao Tratado de Lisboa, rechaçado em referendo na Irlanda no mês passado -o que atravanca sua adoção. Mas fez um chamamento a seu colega polonês, Lech Kaczynski, que na véspera dissera que não ratificará o novo conjunto de normas do bloco, cuja meta é acelerar o processo decisório (deixando de lado a unanimidade) e fortalecer suas instituições, criando a figura do presidente.
O francês disse que a ratificação se trata de uma questão “moral de honestidade” e lembrou que o teor atual do documento era resultado de uma longa negociação da qual os poloneses, inclusive Kaczynski, participaram ativamente. O premiê polonês, Donald Tusk, reiterou que Varsóvia tem interesse em firmar o tratado.