Polícia

Dois presos da P1 morrem após convulsão

Por Ieda Rodrigues | Colaborou Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Numa mesma tarde, anteontem, dois detentos da Penitenciária 1 de Bauru passam mal, entram em convulsão e, apesar de terem sido encaminhados para o Pronto-Socorro Central, morrem logo em seguida. Sem ferimentos pelo corpo nem sinais de violência, a suspeita é de intoxicação, mas a causa dela ainda é desconhecida. Pelas circunstâncias, o JC apurou que a hipótese mais provável é que os dois tenham sido assassinados por colegas. Fala-se, inclusive, em execução aplicada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os detentos mortos são Vitor Hugo dos Santos, 24 anos, e Luiz Miguel Aparecida Salin, 23 anos. Como todos na P1, cumpriam pena no regime semi-aberto. Ou seja, tinham autorização para sair, durante o dia, para trabalhar. O Instituto Médico Legal (IML) coletou material das vítimas para exame toxicológico, cujo resultado deverá sair entre 10 e 15 dias, segundo informou o médico Ivan Segura, diretor do órgão. Sobre a possibilidade de ambos terem morrido em decorrência de overdose de drogas, ele frisa que o exame vai comprovar ou afastar esta hipótese.

Na Polícia Civil, o caso foi registrado como morte suspeita. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) confirma a morte de Santos e Salin e informa que a direção da P1 e a Corregedoria Administrativa do Sistema Penitenciário irão apurar as circunstâncias do ocorrido. Porém, não respondeu demais questionamentos feitos pela reportagem, como a possibilidade dos dois terem sido mortos por grupo rival, qual a pena que cumpriam e se dividiam a mesma cela, alegando que a investigação será feita pela Secretaria de Segurança Pública através da Polícia Civil.

O JC obteve a informação de que a intoxicação teria sido provocada pela ingestão de uma mistura de cocaína e vinagre. Os dois detentos teriam sido obrigados, por outros presos que pertenceriam ao PCC, a tomar a mistura porque teriam sido condenados à morte. No presídio correria a informação de que os dois morreriam de uma forma ou outra - poderiam “cair” de uma janela ou sofrer outro tipo de “acidente”.

O motivo da suposta execução, no entanto, não foi ventilado - a facção é conhecida por punir com morte os integrantes que não cumprem alguma norma interna, como deixar de contribuir financeiramente e trair seus colegas. Porém, o PCC é conhecido por execuções feitas com arma de fogo e não por intoxicação.

Se esta realmente foi a causa da morte, há a possibilidade de que tenham ingerido o produto que causou a intoxicação ainda fora do presídio, antes de retornar à unidade. Ou, ainda, terem comido algo envenenado levado por algum preso.

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