Política

Câmara cobra dados das contas da AHB

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 2 min

A Câmara Municipal de Bauru retomou ontem a discussão da necessidade de a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra o Hospital de Base e a Maternidade Santa Izabel, prestar contas à cidade, principalmente sobre as dívidas que possui.

Em meados de março, o vereador João Parreira (PSDB) comentou que ouviu do presidente da AHB, Reinaldo Rocha, em entrevista a uma rádio da cidade, que a dívida da associação é de R$ 50 milhões, entre bancos, fornecedores e corpo clínico. Diante disso, a Câmara encaminhou ofício à instituição a fim de marcar uma reunião no Legislativo, mas até o momento o encontro não ocorreu.

Ontem, o tucano bateu na mesma tecla. Segundo ele, a direção da AHB não aceitou o convite para dar explicações sobre a dívida de R$ 50 milhões, que, segundo ele, soma quase duas vezes o orçamento anual da entidade (R$ 30 milhões). “Se os diretores da associação estivessem gerindo dinheiro privado, não precisariam vir aqui”, disse Parreira. “Não existe obrigação legal para comparecerem, mas é dever de ofício prestarem contas. O vereador é o representante da população e tem o dever de fiscalizar as instituições públicas ou que gerem verba pública”, emendou.

O parlamentar defendeu a ampla discussão da situação financeira da associação junto à Direção Regional de Saúde (DRS), Secretaria Municipal de Saúde e Associação Paulista de Medicina (APM). Além disso, falou da necessidade do governo estadual fazer uma auditoria nas contas da AHB.

Paulo Madureira (PP) elogiou o colega pela manifestação e lembrou que em fevereiro deste ano protocolou moção ao governo estadual para que este assumisse a gestão do Hospital de Base e da Maternidade Santa Izabel, assim como ocorreu com o Hospital Manoel de Abreu. A proposta foi rejeitada pela Casa.

Ele também apresentou à imprensa um ofício da instituição datado de 15 de maio, citando que o balanço de 2007 seria remetido ao Legislativo assim que fosse concluído. Funcionário do HB, o vereador Benedito da Silva (PSDB) informou que há 30 dias conversou com a direção da associação sobre a dívida e teve como resposta que o relatório seria encaminhado à Câmara.

Embora tenha comentado que a AHB enfrenta problemas devido ao baixo teto pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Marcelo Borges (PSDB) falou da importância da direção da associação prestar informações ao Legislativo.

Na opinião de Rodrigo Agostinho (PMDB), o problema da saúde não é de escassez de recursos financeiros, mas do modelo de gestão. Segundo ele, a prefeitura gasta em saúde mais do que a lei exige (o mínimo é 15% do orçamento), no entanto os problemas continuam. “O modelo de Bauru é caro e não resolve”, disse. A direção da AHB foi contatada ontem, mas não retornou aos telefonemas.

Comentários

Comentários