O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) lançou ontem, oficialmente, a “Turma do Centrinho”, formada por personagens criados com o objetivo de disseminar, de forma lúdica, informações sobre deficiência para romper barreiras e discriminações contra as pessoas com anomalias craniofaciais. Os personagens Lilo, Tuca, Tato, Vô Zico, Rolinho e Tocha foram criados pelo designer Napoleon Fugisawa e ganharam forma pelas mãos da artesã Lúcia Helena de Assis Miassaca.
De acordo com Lúcia Helena, a confecção dos bonecos, em algodão e pano, foi um desafio muito grande. “O Centrinho me procurou mostrando um desenho para que eu tirasse do papel e foi um desafio, mas muito gratificante, porque a receptividade com as crianças foi muito boa, e isso vai servir como um instrumento a mais para trabalhar com as crianças”, disse.
Não foi a primeira vez que Lúcia Helena usou seu talento em prol de uma causa nobre. Segundo ela, há um ano a Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear (Adap) a procurou para confeccionar uma boneca que usasse aparelho auditivo. “Essa boneca saiu, com implante coclear, e foi um sucesso, com muitas vendas. Para as crianças, para o desenvolvimento da auto-estima delas, isso é muito importante”, salientou.
Para Maria Inês Gândara Graciano, diretora da Divisão de Apoio Hospitalar do Centrinho e da Rede Profis, a criação dos personagens foi um passo importante para divulgar e informar a população sobre as fissuras labiopalatais, a deficiência auditiva e outras deficiências, e também evitar a discriminação e preconceito em relação a esse tipo de anomalia.
Além dos bonecos, a Turma vai estampar camisetas, pôsteres, quadrinhos do jornal Em Foco e demais materiais informativos desenvolvidos pela equipe do Centrinho. Os produtos serão comercializados pelas entidades parceiras do hospital, como a Sociedade de Promoção Social do Fissurado Labiopalatal (Profis) e a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf). Segundo Maria Inês, o que for arrecadado com a venda dos produtos será destinado às entidades, ao Centrinho e à Rede Profis, que congrega 40 associações no Brasil.
Congresso
Termina hoje o 8.o Encontro Nacional de Coordenadores e Associações de Pais e Portadores de Lesões Labiopalatais e/ou Deficientes Auditivos. O evento, que teve início ontem com o lançamento oficial da “Turma do Centrinho”, reuniu pacientes e membros de associações de 15 Estados brasileiros. Segundo a presidente do evento, Sonia Tebet Mesquita, as cinco regiões do Brasil estão representadas. “Esse encontro visa esse congraçamento entre as pessoas, o desenvolvimento do relacionamento entre os iguais, todos lutando pelo mesmo objetivo”, frisou.
O evento começou ontem com a palestra do pesquisador Chao Lung Wen, professor associado e chefe da disciplina de telemedicina da USP, considerado o “pai do Projeto Homem Virtual”. Wen falou aos presentes sobre o avanço tecnológico a serviço da saúde e reabilitação, com o foco na telemedicina e telessaúde.
De acordo com Sonia Tebet, o pensamento é habilitar cada vez mais profissionais através da telemedicina, para que os pacientes do Centrinho possam ter o acompanhamento especializado sem que haja a necessidade de se deslocarem de suas cidades de origem para Bauru. “O paciente do Centrinho não se trata apenas aqui, mas precisa do acompanhamento na cidade, e a gente quer que esse acompanhamento seja de qualidade”, disse, lembrando que o ideal é que o paciente retorne ao Centrinho apenas em ocasiões especiais, quando não houver outra opção, mas as terapias devem ser feitas nas próprias cidades dos atendidos pelo hospital.
Hoje, o destaque fica por conta da palestra “Fonoaudiologia - Preparando os pais e cuidadores para prevenção e tratamento dos distúrbios da fala na fissura labiopalatina”, com apresentação de manuais de orientação para terapia fonoaudiológica pelas pesquisadoras Olívia Mesquita Vieira de Souza, mestranda em fonoaudiologia pela FOB/USP, e Maria Inês Pegoraro-Krook, livre docente de fonoaudiologia na mesma instituição.