Esqueça a imagem de virtude, bondade, coragem e altruísmo de tipos como Superman ou mesmo Homem-Aranha. Em “Hancock”, que chega hoje aos cinemas, Will Smith interpreta um super-herói que, de heróico, não tem nada.
Bêbado, vagabundo e sem se importar muito com o que acontece ao seu redor, Hancock é o defensor da Justiça que ninguém quer por perto. Apesar de conseguir voar, não se importa em dormir bêbado pelas ruas da cidade. É praticamente indestrutível, mas, quando decide que vai ajudar alguém, traz mais prejuízos do que benefícios a quem supostamente deveria salvar. Além disso, é campeão em fazer besteiras do tipo tirar um trem do trilho para desviá-lo de um carro, quando poderia apenas deslocar o veículo.
Na história, Hancock está quase sendo expulso da cidade quando o agente de relações públicas Ray (Jason Bateman) decide que vai ajudá-lo a ser o herói que todos querem que ele seja. Quem não gosta muito da idéia é a mulher de Ray, Mary (Charlize Theron), que não acredita que Hancock possa melhorar e tem dúvidas quanto à empreitada do marido, assim como o resto da cidade.
A solução encontrada pelo novo assessor é tirar Hancock de circulação. Por isso, faz com que ele aceite passar um tempo - voluntariamente, claro - na cadeia. Hancock começa a melhorar, ganha um uniforme (de couro, que parece ser tendência entre os super-heróis modernos) e até concorda em ajudar a polícia. Mas o fato de não saber nada sobre o seu passado continua a atormentá-lo. Até que uma descoberta sobre sua vida faz com que ele tenha de enfrentar um inimigo inesperado.
Dirigido por Peter Berg (de “O Reino”), “Hancock” ganha pontos por ser não só um filme de herói, com todos os clichês de superação que um longa do gênero tem de ter, mas também porque aborda aspectos que geralmente não aparecem nesse tipo de filme. Por exemplo, quem paga a conta quando super-heróis destróem metade da cidade? Um herói tem de ir para a cadeia quando comete crimes, mesmo que seja combatendo um mal maior? E aquele uniforme justinho, não é um pouco desconfortável?
Tudo bem que da metade para a frente, eles se esquecem de tudo isso e ficam só nos clichês e naquela velha história de “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Mas ver uma cena em que um herói, tentando salvar uma baleia encalhada, atira o animal em cima de um barco a vela, como diria aquele comercial, não tem preço.
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História quase não sai do papel
Por ser pouco convencional, o roteiro de “Hancock” ficou quase uma década circulando entre estúdios sem que ninguém se interessasse em filmá-lo. Até que o superpoderoso Will Smith decidiu que seria não só o protagonista como um dos produtores do longa. Com o astro à frente do projeto, não foi difícil conseguir US$ 150 milhões e ter nos créditos produtores como Akiva Goldsman, de “O Código da Vinci”, Michael Mann, de “Miami Vice”, e Ian Bryce, de “Transformers” e “Homem-Aranha”, entre outros. Isso sem contar a vencedora do Oscar Charlize Theron como coadjuvante.
A figurinista Louise Mingenbach, de “X-Men” e “Superman”, também está no filme. Não à toa, “Hancock” é o grande lançamento do principal feriado norte-americano, o 4 de Julho.