Em calmaria desde outubro de 2006, adolescentes da Unidade de Internação (UI) da Fundação Casa, antiga Febem, fizeram ontem pela manhã rebelião na unidade de Bauru. Durante a ocorrência, que durou cerca de três horas, fizeram cinco professores e um funcionário reféns, segundo a Polícia Militar (PM). Ainda quebraram carteiras, cadeiras, televisão e DVD.
Por conta da situação, a Equipe de Intervenção Rápida de Iaras foi acionada, assim como a PM. Os policiais, no entanto, não intervieram. À tarde, a informação de que haviam reféns foi contestada pelo diretor regional da instituição, Dario de Arruda Mendes Neto. De acordo com ele, a opção de permanecer junto aos adolescentes partiu dos próprios profissionais, cujo objetivo era garantir a integridade física dos garotos, que apenas tumultuavam a unidade.
Mas ao sair da instituição durante a ocorrência, o major Nélson Garcia Filho, subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior, comentou que a situação estava sob controle, mas os internos ainda relutavam em libertar os servidores e acabar com o evento. “Eles estão dentro de uma sala de aula com cinco professores e um funcionário e a diretora está negociando. Aparentemente, não há feridos”, explicou.
O problema teria começado na sala de TV da UI, segundo Mendes Neto. Ele contou que um dos internos pediu a um funcionário para ir ao banheiro, sendo que a solicitação foi negada porque outro adolescentejá estava no mictório. Por essa razão, o interno tentou arremessar uma cadeira contra o profissional, mas foi contido por outros funcionários, informa. Levado para o pátio da unidade, passou a gritar, acrescenta o diretor regional.
Diante das circunstâncias, internos teriam imaginado que ele estava apanhando e iniciaram o tumulto, diz Mendes Neto. Imediatamente, a porta de acesso da unidade ao pátio foi fechada. Permaneceram no local adolescentes e professores. Em conversa com a diretora Juliana Rosa, a rebelião foi encerrada. A normalização da casa contou com o apoio da Equipe de Intervenção Rápida de Iaras, que fez o rescaldo e revistou os adolescentes.
Prejuízos
O caso foi registrado no 4º Distrito Policial, onde o dano ao patrimônio público constou em boletim de ocorrência. Um relatório sobre os prejuízos será entregue na delegacia na próxima semana, informa o delegado, Francisco Bromati Filho. Ao que a reportagem pôde constatar em visita à unidade na tarde de ontem, os danos foram pequenos. Ao amassarem uma janela e quebrarem cadeiras e carteiras, conseguiram produzir naifas (armas brancas elaboradas manualmente).
Após a recolha do material, todos os internos passaram pela enfermaria, de acordo com o diretor regional. Segundo ele, hoje eles serão ouvidos. “Assim vamos chegar a um denominador comum”, garante Mendes Neto. De acordo com ele, a PM foi chamada, como é praxe nestes casos. Sem desdobramentos mais sérios, não foi necessária a presença do juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, como ocorreu em outras ocasiões no passado.
Desta vez, por exemplo, não haveria feridos, nem entre adolescentes, nem entre funcionários, informaram. A garantia foi feita pelo diretor regional, Mendes Neto. No entanto, ele confirmou que uma funcionária sofreu um mal súbito e foi socorrida. A reportagem flagrou servidores sendo levados à assistência médica.