O ex-diretor da unidade de Bauru da Fundação Casa Antônio Alfredo Costela Parras, afastado do cargo sob denúncias de maus-tratos, que incluiriam até choque elétrico, foi condenado à prisão em pelo menos dois processos de apropriação indébita. Conforme o JC apurou, as decisões são em primeira instância.
Em cada um deles recebeu pena de um ano e quatro meses de reclusão, em regime inicial aberto, além de prestação de serviço à comunidade e o pagamento de salários mínimos (dois ou três, dependendo do caso). Segundo a reportagem também apurou, atualmente ele responde a quatro ações cíveis e três criminais. Comenta-se, inclusive, que haveria um mandado de prisão expedido contra ele, exonerado da fundação há quase um ano.
O boato é de que Parras estaria em Portugal justamente em virtude dos problemas com a Justiça. A reportagem confirmou sua estadia no Exterior no bairro onde ele vivia em Bauru. Quando foi afastado, em entrevista ao JC, atribuiu as denúncias contra ele às dificuldades de cunho político.
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Segurança
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraenfa), Heitor Theodoro, reclamou que a Fundação Casa está desprovida de equipamentos de segurança para os funcionários.
Segundo ele, apesar das condições de trabalho terem melhorado em termos de número de pessoal, ainda falta mais segurança para quem trabalha diretamente com os internos.
“Falta uma Equipe de Intervenção Rápida na unidade de Bauru. Deveria ter uma em cada unidade”, disse. A Equipe de Intervenção Rápida é um grupo treinado para controlar as rebeliões no início. No entanto, a única unidade da região que dispõe dessa equipe é a de Iaras.
Acionada, só chegou a Bauru uma hora e meia depois da rebelião ter começado. Segundo o diretor regional da Fundação Casa, Dario de Arruda Mendes Neto, o tempo de deslocamento foi, no máximo, de 50 minutos. Para ele, apenas um grupo é suficiente para a região, já que a atual linha de trabalho da instituição é pedagógica. Além disso, frente a um tumulto generalizado, a Tropa de Choque da PM auxilia.
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Calmaria
O recente período de calmaria na unidade de Bauru da Fundação Casa teve início em outubro de 2006, quando a atual diretora Juliana Rosa assumiu o cargo. Desde então, a reportagem apurou escassas ocorrências envolvendo a unidade, como a registrada em junho do ano passado, quando houve uma tentativa de fuga da Unidade de Internação Provisória (UIP).
Por conta do episódio, mães de internos denunciaram maus-tratos. Segundo elas, a tentativa de fuga teria sido motivo para que funcionários da entidade iniciassem uma série de agressões contra os adolescentes. Um processo investigatório foi instaurado pelo Ministério Público e a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru realizou uma blitz.
Em relatório da Ordem, as denúncias foram confirmadas, mas rechaçadas pelo diretor regional da instituição, Dario de Arruda Mendes Neto. Segundo ele, nada foi constatado nem pela Promotoria. Juliana Rosa substituiu Antônio Alfredo Costela Parras, afastado do cargo sob denúncias de maus-tratos, que incluíam até choque elétrico.
Antes das denúncias, sua gestão parecia tranqüila. O pior ano da Fundação Casa de Bauru foi 2005, quando um adolescente foi morto na unidade. Somente, nos primeiros cinco meses do ano, agentes frustraram tentativa de fuga, funcionários apanharam de internos, houve fuga, tentativa de fuga e duas rebeliões, além do homicídio.