Economia & Negócios

Investir em títulos públicos tem custo a partir de R$ 100,00

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Há dois anos, o bioquímico Hilton Eid redirecionou seus investimentos e resolveu comprar R$ 50 mil em títulos públicos. Após o resgate, cujo valor atingiu R$ 65 mil, ele se disse satisfeito com o negócio. “A vantagem em relação à renda fixa normal é que só há incidência do Imposto de Renda no resgate, e não a cada seis meses, além de não pagar taxa de administração”, diz ele sobre os motivos que o levaram a mudar de área.

Um mercado tradicionalmente atrativo para bancos e fundos de pensão, também se tornou viável para o investidor pessoa física. Com a finalidade de captar recursos para o financiamento da dívida pública, bem como financiar atividades de infra-estrutura em geral, o governo federal disponibiliza a venda de ativos cujo investimento inicial pode ser de apenas R$ 100,00, de acordo com informações do site www.tesourodireto.gov.br, que também explica o passo-a-passo para o interessado no negócio.

A compra de títulos públicos é uma opção para quem deseja investir a curto prazo em uma modalidade considerada segura e com rentabilidade maior que a da poupança. Do ponto de vista financeiro, o economista Reinaldo Cafeo avalia que o risco de perdas a partir da compra de títulos públicos é zero. “O risco de calote é o menor que existe atualmente no mercado”, explica.

Ele afirma que a principal vantagem é o sonho de qualquer investidor: a remuneração, sujeita à Selic. “Os ganhos são acima dos oferecidos pela poupança e atualmente dá mais de 12% anuais, embora oscile pela lei de oferta e procura. É como um mercado de ações. A empresa lança uma ação por um valor e, depois, as pessoas que as compraram podem revender esses títulos no mercado, ou reaver o dinheiro”, explica.

Segundo ele, a desvantagem da operação está na porcentagem aplicada sobre o Imposto de Renda e o fato de ser adquirido via Internet. “Já é difícil entender o mecanismo do mercado, imagine para quem não é do meio financeiro”, ressalta.

No exemplo de uma compra a partir de R$ 300,00, após um ano será possível resgatar cerca de R$ 30,00 a mais, descontados os impostos. No mesmo período, o rendimento da poupança elevaria o valor inicial para até R$ 315,00. “Para quem não tem o hábito de fazer declaração do IR, se fizer qualquer aplicação que tenha a retenção na fonte, tem que fazer a declaração”, adverte Cafeo.

Histórico

Segundo o economista, três fatores são essenciais para a emissão de títulos públicos. As hipóteses são o déficit público, dívida interna e/ou externa ou, ainda, captar recursos para ajudar a financiar investimentos. Cafeo explica que é possível comprá-los nas esferas federal, estadual e municipal, embora esta última abdique da opção, pois trabalha com caixa que não deve gerar déficit e comprometer o endividamento local.

“O município não tem credibilidade necessária para honrar os compromissos, precisa de autorização do Banco Central (BC), e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) também é um atenuante a dívidas”, ressalta. Em comparação à Bolsa de Valores, ele diz que os papéis do governo têm um tom mais conservador. “Risco menor, ganho menor”, conclui.

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